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terça-feira, 6 de setembro de 2022

200 anos de Brasília em Santos. O protagonismo da cidade na capital do país.

 Quando falamos na história da nova capital, Brasília, geralmente lembramos da autoria de três pessoas: Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Raramente recordamos a importância que esse tema teve, em 1822, e que a cidade de Santos desempenhou um papel imprescindível para esse fato pudesse ocorrer. 



 

Também pensamos em Brasília como uma cidade nova, de 62 anos de construção, é verdade, mas a ideia de mudar a capital do Rio de Janeiro para o interior, é muito anterior.

 

Desde de 1822, quando se toma a decisão de separar o Brasil de Portugal, começa-se a pensar, estrategicamente, em mudar a capital para o interior. Nesse momento passa a ter um papel especial o santista José Bonifácio de Andrada e Silva que foi ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros de janeiro de 1822 a julho de 1823, e conselheiro de D. Pedro I. 




 

Bonifácio é reconhecido por vários feitos militares e políticos e pelo Manifesto Paulista, uma carta escrita por José Bonifácio de Andrada e Silva, no Solar dos Andradas, em dezembro de 1821, onde solicita a D. Pedro que não cumpra as ordens vindas de Lisboa e permaneça no Brasil, atendendo ao desejo dos paulistas.

 

Vários motivos fortaleceram a ideia da mudança, afastar do conceito português impregnado no Rio de Janeiro e, principalmente, buscar a interiorização da capital longe do ataque de navios e perto de rios que ligassem o sul ao norte do país.

 

Bonifácio articula essa mudança a partir da independência e o mais importante: nomeia a cidade em carta à Assembleia Constituinte, propõe a interiorização da capital para o Planalto Central e sugere que seja batizada de Petrópolis ou Brasília.

 

Assim, na Constituição de 1891, a mudança a capital no centro do Brasil se transformou em Lei.

 

Cem anos mais tarde, em 1922 , durante as celebrações do Centenário da Independência do Brasil, foi inaugurada a Pedra Fundamental da futura capital. E só em 1955 durante um comício em Goiânia, o então candidato à presidência Juscelino Kubitschek, se propôs a respeitar a constituição. Nesse evento, Juscelino foi pressionado por um eleitor que pergunta se iria mudar a capital para o planalto central, como constava na Constituição de 1891. Juscelino promete não apenas iniciar a mudança como inaugurar a capital. Movimento que ficou conhecido como 50 anos em 5. Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, mas essa é outra história, que a maioria já conhece.

 

Em setembro deste ano comemoraremos 200 anos de independência do Brasil, um movimento importante para nosso país, com papel fundamental de um santista, que da origem também à nova capital, um exemplo de urbanismo, arquitetura e design moderno brasileiro para o mundo.




Artigo publicado na Revista MixDesign ago/set 2022

domingo, 19 de junho de 2022

Arquitetura e o lugar comum

 Estamos acostumados a conviver em espaços muito similares, salas de estar, de jantar, quartos, cozinhas, varandas, piscinas, bares, restaurantes, hotéis, praças enfim a maioria dos ambientes projetados são muito similares.

Mesmo que alguns apresentem fortes valores estéticos e visuais e, desta forma, aparentemente se diferenciam dos outros, ainda assim são raros aqueles que nos propiciam uma experiência inovadora e marcante. Por isso, vivemos envolvidos com o lugar comum, entendendo comum aquilo que se aplica a várias pessoas ou coisas, que é semelhante ou idêntico, e/ou que pertence a muitos ou a todos.

Para se ter uma experiência nova é preciso sair do lugar comum, já que experiência pressupõe o conhecimento ou aprendizado obtido através da prática ou da vivência, ou seja, aquilo que nossos sentidos percebem a partir da presença fisicamente no ambiente.

Num mundo altamente dominado pela tecnologia digital passamos a valorizar cada vez mais a oportunidade de viver momentos singulares de experiências em ambientes físicos e naturais e, por este motivo, permanecem mais ativos em nossa memória.

Lógico que criar esses espaços não é algo simples, e fazer isso preservando a funcionabilidade do ambiente, dentro de normas técnicas e padrões técnicos é mais complexo ainda, por isso a atividade compete a profissionais habilitados.

Mas, talvez seja esse um dos principais pontos que diferenciem, hoje, os grandes arquitetos e designers do mundo.

 

Ciente disto o artista argentino Leandro Erlich, que divide sua vida e trabalho entre as cidades de Buenos Aires e Montevidéu, tem criado instalações que desafiam os sentidos, e nos levam a analisar como as pessoas reagem e percebem estes ambientes que colocam o ser humano numa nova perspectiva e fora do lugar comum.

A reação é quase unânime, perceptíveis por todos que estão em volta, seja de felicidade, angustia, enjoo, inúmeras emoções que a grande maioria prefere registrar e guardar esse momento realizando muitas fotografias e postando e suas redes sociais. É importante lembrar que Leandro realiza este trabalho muito antes do Instagram, e não é a intenção promover o aplicativo com sua arte, mas, sem dúvida, o aplicativo tem milhares de fotos de seu trabalho pelo mundo.

Sua obra causa estranhamento, por nos colocar em ambientes que aguçam nossos sentidos, desafiando o mundo físico e principalmente mudando o papel do visitante de espectador para o ator principal da obra.

E é aqui que reside nossa reflexão para a arquitetura e interiores, além da arte, o ser humano não deveria ser o ator principal dos ambientes?

Ambientes não deveriam nos permitir uma experiencia única e singular?

Que ambientes poderiam propiciar isto?

De fato, a única resposta é que a obra de Erlich nos faz pensar seja como arte, arquitetura ou interiores.




artigo publicado originalmente na revista Mix Design junho 22