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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

O Grand Ring e o Valor da Arquitetura como projeto e legado

 A maior estrutura de madeira do mundo marca a Expo 2025 e levanta discussões sobre o papel simbólico e estratégico da arquitetura em grandes eventos.




A Expo é um evento importante no calendário mundial, abrangendo as mais diversas áreas do conhecimento. Para a arquitetura, interiores e construção, ela funciona quase como um balizador das ideias e conceitos que moldam — e moldarão — nosso futuro próximo.

O Japão, país-sede, já se destaca com o projeto de Sou Fujimoto: o Grand Ring, estrutura que também faz parte do master plan do evento. O Grande Anel foi construído predominantemente com cedro japonês, cipreste e pinheiro silvestre, ressaltando o valor simbólico dessa mistura entre materiais nativos (70%) e estrangeiros. Seu diâmetro externo atinge 675 metros (615 m na face interna) e cobre uma área de mais de 61.000 m², tornando-se a maior estrutura arquitetônica de madeira do mundo. A construção combina métodos modernos com a técnica tradicional “nuki”, utilizada em santuários e templos japoneses. 

A madeira vem ganhando espaço na construção civil — inclusive em edifícios de múltiplos andares —, especialmente no Japão, onde hoje cerca de 90% das casas unifamiliares são feitas com estrutura de madeira.





  

A Expo 2025 tem sido alvo de elogios e críticas. O Grand Ring, por exemplo, foi amplamente reconhecido por sua ambição, mas também criticado pelo alto custo (¥235 bilhões no total do evento), além da falta de áreas sombreadas e de materiais adequados para o clima local. Outra grande discussão é o que será deste projeto ou seus materiais aptos o fim da Expo.

O Pavilhão do Brasil também gerou controvérsias. O primeiro lugar no Concurso Nacional para o Pavilhão Brasileiro na Expo Osaka 2025 ficou com o Studio MK27/Magnetoscópio, de São Paulo. No entanto, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), responsável pela obra, considerou o valor orçado elevado demais e apontou riscos de não concluir o projeto a tempo. Segundo Dantas e Kogan, a proposta estava dentro dos R$ 25 milhões previstos no edital, já com construtora licitada. Como não havia tempo hábil para um novo concurso, a curadoria foi entregue a Bia Lessa.

A Expo 2025 segue até 13 de outubro, mas os números já indicam um desinteresse do público, com a venda de ingressos ficando cerca de 30% abaixo do esperado.

Nesse dilema, é importante que as críticas considerem também o valor do projeto arquitetônico — e não apenas os custos de execução. Afinal, na Expo, a arquitetura dos pavilhões é a responsável por “vender” a imagem de um país. São esses espaços que comunicam ideias, valores e visões de mundo, e que permanecem na memória dos visitantes.

Um bom exemplo disso é o Pavilhão de Barcelona, projetado por Ludwig Mies van der Rohe e Lilly Reich para a Exposição Internacional de 1929. Ícone da arquitetura moderna, o pavilhão é celebrado por sua simplicidade, uso inovador de materiais e continuidade espacial. Reconstruído na década de 1980, tornou-se um marco arquitetônico e um destino turístico permanente — além de seguir influenciando gerações de arquitetos.

Por isso, investir em arquitetura e design não é apenas justificar um custo: é deixar um legado.

projeto: Studio MK27/Magnetoscópio, de São Paulo

Projeto: Bia Lessa.

Matéria publicada originalmente na Revista MixDesign 84

terça-feira, 12 de novembro de 2024

O futuro das cidades e as cidades do futuro.

Diante dos últimos desastres climáticos o mundo inteiro passou a entender a urgência de debater questões simples para a sobrevivência da espécie humana.

Isto parecia algo raro para o Brasil, a não ser pelas secas e incêndios recorrentes destas secas.

Mas as chuvas e alagamentos deste ano no Rio Grande do Sul demonstraram que temos muito mais com o que nos preocupar.

Algo que vem ocorrendo há muito tempo em várias cidades brasileiras, mas, que passado o evento climático é esquecido. Todo ano a cidade de São Paulo alaga com as chuvas de verão, a maioria esquece que São Paulo é uma cidade de rios (ver mapa), por baixo dessa cidade de asfalto e concreto existem milhares de córregos, riachos, rios e nascentes que emergem com as chuvas, que correm mais rápido pela cidade impermeável.


Rios da cidade de SãoPaulo



Balneário Camboriú em Santa Catarina, Olinda em recife e Fortaleza em Ceará, por exemplo, já não tem praias. As construções próximas à orla e a elevação do nível do mar tem acabado com a área de areia. Rio de janeiro registra frequentemente a invasão do mar nas avenidas da orla.

Santos não será diferente. Uma ilha com canais depende totalmente das marés oceânicas e da elevação do nível do mar.

Independente dos motivos, se trata de uma discussão longa, o certo é que nos últimos cem anos o nível do mar subiu 20 cm, crescimento que vem ocorrendo de forma exponencial, tendo a maior evolução de 2012 a 2023, ou seja, esta última década.

O importante neste momento é que arquitetos e designers se envolvam neste debate e apresentem ideias para retomar a pauta de uma visão de futuro das nossas cidades, que cidades gostaríamos de ter? Em que cidade gostaria de viver?

Precisamos desenvolver e disseminar pesquisas transdisciplinares focadas nas mudanças climáticas e bem-estar urbano social, cultural e espacial.

Cem anos atrás a visão de futuro eram cidades de concreto escuras e totalmente dependente das máquinas. Como mostra o filme Metrópoles de Fritz Lang ou a capa do livro Future Cities: Architecture and the Imagination de Paul Dobraszczyk. Será que acertou?


Fritz Lang. Film still from Metropolis. 1927 | MoMA


Future Cities: Architecture and the Imagination de Paul Dobraszczyk.



40 anos atrás a visão de futuro era de cidades tecnológicas, a alta tecnologia moldando o urbano. É isso que estamos vivendo?

E hoje, como vemos as cidades no futuro? Como você imagina que seria o futuro ideal de nossas cidades?

Muitos estudiosos estão apostando em cidades focadas no ser humano e na natureza, ou seja, sustentáveis.

Saímos da mata e do rural, com medo da solidão na natureza (fauna e flora) para viver em locais que passamos a chamar de urbes, polis, cidade, urbano. E em muito pouco tempo percebemos que o extremo não foi uma boa solução. Temos que alterar o foco com urgência, iniciando o quanto antes esta mudança. Principalmente porque a Natureza segue a ordem analógica do tempo certo de crescimento. Para termos árvores no futuro, precisamos começar o plantio já. Para termos águas limpas no futuro, precisamos tratar e cuidar da nascente já.

Repare na linha do tempo qual você escolhe?





artigo publicado na Revista MIXDesign 78





terça-feira, 23 de maio de 2023

Design & sustentabilidade: Capacete ecológico feito de restos de conchas.

 Design & sustentabilidade

Capacete ecológico feito de restos de conchas.

Alvaro Guillermo





As conchas marinhas, tem como função principal a proteção, destinam-se a proteger seus habitantes dos predadores.  Uma equipe multidisciplinar de pesquisadores e designers utilizou biomimética e biônica num processo de sustentabilidade para estudar e analisar o uso de sobras de conchas marinhas nas praias do Japão.

O problema dos resíduos marinhos, cerca de 40.000 toneladas de conchas marinhas geradas anualmente por uma fábrica produtora de vieiras, passou a ser a base de produção de um novo objeto: um capacete. Que traz também conceitualmente a própria função da concha e seu desenho remete à concha na tentativa de auxiliar a contar e transmitir toda esta história.


Biomimética é uma ciência que estuda os princípios criativos e estratégias da natureza, visando a criação de soluções para os problemas atuais da humanidade, unindo funcionalidade, estética e sustentabilidade. Mimetismo proveniente do termo grego "mimetés" que significa imitação, e dá origem a mimica e outras palavras. Na filosofia Aristóteles e Platão se dedicaram a refletir e tentar compreender o que é ter consciência de uma existência e como ela se relaciona com a Natureza.


O produto resultante não é apenas melhor para o meio ambiente, mas também mais durável e mais leve do que os capacetes de plástico convencionais. A matéria prima foi desenvolvida junto a uma empresa de produtos químicos (Koushi Chemical), que desenvolveu um método de processar as sobras de cascas em um novo material denominado “karastic” (combinação das palavras kara, que significa casca ou concha, e plástico).
Quantum é um estúdio Startup que cria novos produtos e serviços por meio do desenvolvimento de negócios orientados à criatividade.





Desde a fundação em 2016, tem lançado negócios próprios criando empreendimentos, trabalhando colaborativamente e através de co-founding com mais de 70 empresas, startups e universidades.
Com o foco no  “Zero to Impact” utilizando a criatividade e capacidade de implementação em uma cultura que valoriza o espírito de empreendedorismo.

O estúdio de design japonês Quantum, criou o capacete inspirado na própria estrutura nervurada da concha. O produto passou a se chamar de Hotamet, junção das palavras hotate (vieira) e capacete (helmet).



artigo publicado originalmente na Revista Mix Design 69 fev. 2023





quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

A VIDA SECRETA DAS ÁRVORES.

 


Uma das coisas que mais me chamou a atenção é que o livro está nlista de mais vendidos do The New York Times, com mais de 1 milhão de livros vendidos. É muito bom quando vemos livros que atingem esse patamar principalmente de cientistas ou filósofos. Neste caso de um cientista: Peter Wohlleben,engenheiro florestal e divulgador científico alemão, conhecido por suas obras populares sobre temas ecológicos.

 

Este é um livro que abre a mente para o conceito de ecologia, da vida (bio) e também de sustentabilidade, principalmente quando passamos a pensar na extensão da vida e na noção do tempo. Em comparação à vida humana, em média, as árvores vivem até 10 vezes mais, o que reforça a ideia que plantar árvores e/ou preservar as existentes amplia a consciência de nossa relação com as gerações futuras, já que são essas que irão conviver com árvores adultas, de mais de cem anos de vida. Eu que tenho escrito bastante sobre o Slow e longevidade, principalmente Slow design, o ritmo da natureza e das árvores em especial nos ensina muito.

 

Aliás, a educação familiar é uma das felizes descobertas que a leitura me trouxe.

 

“Uma boa educação é garantia de uma vida longa, mas às vezes a paciência das mudas se esgota.”Wohlleben pág. 37.




Se entendermos que esse aprendizado se dá através da seleção e transmissão de informações entre as árvores é possível passar a acreditar que estas informações podem ser repassadas através de suas raízes que mantém contato no subsolo com outras árvores da família, ou não, e com milhares de seres vivos que ali habitam (especialmente fungos) e que são invisíveis para nós, motivo pelo qual nem paramos para pensar em sua existência, como o próprio autor cita temos mais conhecimento sobre o espaço e a superfície lunar, do que os nossos subsolos ou fundo dos oceanos.

 

Esta de rede de conexões que se dá pelas raízes está sendo estudada pela ciência com mais profundidade.  


“ciência já fala da existência de uma 'wood wide web" que permeia as florestas. As pesquisas sobre quais e quantas informações são trocadas ainda estão no início. O que já se sabe é que os fungos seguem uma estratégia, calcada na intermediação e no equilíbrio, que às vezes põe em contato diferentes espécies de árvores, mesmo que sejam concorrentes.”pág. 16.




O texto é simples e acessível o que incentiva a leitura, principalmente a humildade do autor ao citar seus erros e de outros cientistas, não delegando o fardo das extinções apenas aos exploradores de florestas. Apesar de ter dedicado sua carreira na floresta da Alemanha, e por isso os exemplos se baseiam em dados desta floresta, tem citação ao Brasil, expandindo o conceito ecológico a uma consciência planetária, mais obvia agora com esta rede de conexões e informações.


“Também descobriram que o processo inteiro é interrompido quando as florestas costeiras são desmatadas. É como se alguém removesse os tubos de sucção de

água de uma bomba elétrica. No Brasil, as consequências já começaram a surgir: o nível de umidade da Floresta Amazônica está cada vez mais baixo. A Europa Central, a cerca de 600 quilômetros da costa, ainda faz parte da área de alcance da bomba de

sucção, e felizmente ainda existem florestas na região, apesar de sua área já ter diminuído bastante.”pág. 98.






Leitura imprescindível, para arquitetos, designers e paisagistas, e para todos aqueles que moram um algum país que tenha sua origem em árvores, como por acaso o Brasil, Terra Brasilis, terra dos Pau-Brasil, ou a árvores em brasa, queimando vermelhas.

 



quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Cidades costeiras e o nível do mar.

 

Nos últimos artigos temos tratado bastante da relação das cidades com os mares e oceanos.

Foram diversas ideias e soluções para pensar a ocupação destas áreas no mundo todo, já que é uma das maiores preocupações de um futuro próximo.

Recentemente o assunto voltou à pauta fortemente durante a  26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26), principal cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) para debater questões relacionadas ao clima. O aquecimento global não deve diminuir nos próximos anos e as consequências são alarmantes. 

Circularam na internet imagens produzidas por cientistas da Climate Central que examinaram regiões onde as populações são mais vulneráveis ​​nos próximos 200 a 2.000 anos.

A linha da maré alta pode invadir terras ocupadas por cerca de 10% da população global atual (mais de 800 milhões de pessoas) após 3 °C de aquecimento. Muitas pequenas nações insulares estão ameaçadas de perda quase total e a Cidade de Santos será uma das mais afetadas.

Quando se trata de problemas de ecologia voltamos a citar a famosa frase “pensar globalmente e agir localmente”. Se o mundo todo não se comprometer com as metas estabelecidas não há muito o que fazer localmente.

Por isso ,é importante ter sempre em pauta assuntos sobre sustentabilidade, ecologia, Amazônia, florestas tropicais, áreas verdes, permeabilidade, redução de emissões, ou seja, o desmatamento de áreas verdes não é um problema da Amazônia apenas, as emissões de gases e poluentes não é um problema unicamente da China, ambos afetarão a vida nas cidades costeiras do Brasil e combinados aceleram a proximidade dessa fatal realidade.

Mês passado também foi apresentado relatório 2021 sobre a Lacuna de Emissões pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Este relatório mostra que as promessas climáticas apresentadas pelos países, combinadas com outros fatores não seriam suficientes e não evitariam um aumento da temperatura global em quase 3°C até o final do século. 

Diante deste atual panorama a inserção deste debate em todos os níveis, a iniciar pelo ensino básico, é urgentíssimo. Desta forma a lei  Municipal de Santos nº 3.935, sancionada este mês que prevê a inserção de conhecimentos sobre oceanos e preservação da vida marinha em diferentes formas de atividades pedagógicas na rede municipal de ensino é um grande passo para a ação local e um exemplo global para que o tema tome as devidas proporções.

Arquitetura, sustentabilidade e turismo regenerativo.


 Após este choque da pandemia da Covid-19 o turismo passa por uma intensa reflexão de sua retomada, onde hábitos e costumes, de fato, mudaram e afetam diretamente este setor.

No caso da arquitetura e interiores, evidentemente gerou uma rápida demanda para atender novos protocolos de higiene e distanciamento.

No entanto, um dos temas mais promissores está sendo o turismo regenerativo, pois não está se apresentando como uma alternativa à pandemia, e sim à sustentabilidade, com um conceito mais profundo da mobilidade humana e sua relação com o meio ambiente e a natureza.

Como o próprio nome diz, este tipo de turismo tenta regenerar aquilo que já foi afetado pelo homem, trazendo vida nova aos ambientes que sofreram impactos negativos. Portanto, não se trata de preservar e sim trazer de volta à vida os ecossistemas afetados. É um bom exemplo de sustentabilidade que permite ao ser humano manter o contato com esses ambientes naturais, e não apenas afastá-lo na busca da revitalização local. 

Tem vários aspectos positivos, destaco alguns, primeiro do ponto de vista ecológico: temos necessariamente que recuperar e regenerar estas áreas afetadas urgentemente, o mundo estabeleceu uma agenda ecológica de sobrevivência para 2030 que parece inatingível, e é altamente desafiadora. Neste sentido o Brasil, na sua área costeira e, principalmente, da mata atlântica tem muito a fazer.

Outro ponto importante é a ativação da economia local com responsabilidade para manutenção deste conceito. Hoje é desnecessário comprovar a importância de gerar empregos e manter o mercado local funcionando.

 Este termo de turismo regenerativo é coerente com a filosofia de sustentabilidade, pois não se trata apenas de uso de energias renováveis, reuso de água, utilização de materiais ecologicamente corretos ou seleção e destino do lixo, mas também do tripé social, ambiental e econômico.



Existem alguns bons exemplos de hotéis para este turismo sustentável, como The Brando, na Polinésia Francesa, do arquiteto Harry Gesner. Localizado na Ilha do ator Marlon Brando, por isso leva seu nome, que com menos de dez anos já recebeu vários prêmios e é considerado um dos melhores do mundo. 

E gostaria de destacar outro hotel, que também tem uma forte relação com o mar, projeto do escritório Foster + Partners na ilha Shurayrah, no Mar Vermelho.

O projeto é apontado como uma das iniciativas de turismo regenerativo mais ambiciosas do mundo, concebido para se mesclar inteiramente ao mar e ao ambiente natural. O projeto tem como centro a biodiversidade e a economia local, evitando impactos negativos nos ecossistemas da ilha como os manguezais. Este tipo de proposta de arquitetura e interiores aponta para um caminho emergente onde a sustentabilidade deixa de ser uma exigência normativa para se tornar um princípio filosófico, apresentando coerência com a vida do planeta, como o próprio escritório Foster descreveu: “o hotel foi projetado para dar a impressão de que foi trazido naturalmente às praias, inserido entre as dunas quase como troncos trazidos pelo mar. ”





Artigo publicado originalmente da revista MixDesign jun 2021

Sustentabilidade : arquitetura e design para a vida.

Sustentabilidade não deveria ser uma tendência e, sim, um princípio de nossa humanidade. Infelizmente não existe um planeta B, nem outro plano a não ser voltarmos todos nossos esforços para este conceito, que também está muito atrelado à economia criativa, dos quais, mais uma vez, consumir no mercado local contribui para minimizar impactos ecológicos e sociais, como uso de menos transportes e assim menos poluição.


Lembrando sempre que a Sustentabilidade é um tripé apoiado no nosso planeta, nossa casa. Eco que vem do Grego oikos (pronuncia-se “écos”), daí os três pés: ecologia estudo da casa; economia normas ou leis da casa; e o terceiro as relações vivas que habitam este planeta, dando assim a visão social. Uma visão sistêmica, fundada na nova cosmologia, nas ciências da vida e da Terra, apresenta um conceito de sustentabilidade integral, aplicável ao universo, à Terra, à comunidade de vida e à sociedade como Leonardo Boff propõe em seu livro homônimo.

Existem muitos bons projetos no mundo, que começam a replicar. Com as redes sociais muitas destas ideias conquistaram espaço como a Warka Watter, na África, uma torre de captação de água do arquiteto e designer italiano Arturo Vittori, que coleta água do ar.


Construída com bambu, capta o vapor de água do ar e o transforma em água própria para o consumo. Não tem alta tecnologia, nem exige muita preparação do local, simples de montar, inteligente e criativo, atende seu propósito e um dos itens mais necessários para a vida humana: a água.





No Brasil também temos bons exemplos como o Atelier O’Reilly, da arquiteta Patrícia O’Reilly. Dos inúmeros projetos premiados de sustentabilidade destaco o projeto para a nova sede do Instituto Favela da Paz no Jardim Ângela, na região sul da cidade de São Paulo (SP). Projeto doado e que estará representando o Brasil na próxima Bienal de Arquitetura de Veneza uma das mais importantes do mundo. E com o que recebeu 1º Lugar no Prêmio e Fórum SP de inovação tecnologia no esporte, saúde, lazer e construção 2021 com realização da FENATS – Federação Nacional das Entidades do Terceiro Setor. O projeto tem como objetivo o aproveitamento de resíduos de construção e demolição em produtos decorativos de concreto e produção de tintas para fins artísticos.


Solar Palm a árvore do conhecimento 1.0.



O projeto arquitetônico da nova sede do Instituto em um terreno também doado, faz uma decodificação da “caoticidade” da realidade da casa onde hoje é o lar de todos e também o Instituto, preserva a organização arquitetônica existente e de forma livre conecta oito volumes construídos em woodframing.


São projetos dessa natureza e profissionais com esse engajamento que trazem esperança de um futuro melhor.







Artigo originalmente publicado na Revista MixDesign 2021
 

sábado, 20 de fevereiro de 2021

A relação da cidade com o mar e as águas.

 A relação com o mar e as águas.

A importância da ilha de Santos e das cidades vizinhas se deve a sua relação com o mar. 

Muitos ainda olham para a capital como um horizonte, mas, mesmo que tenha ficado mais fácil subir a muralhara, isso não se justifica.

Ao chegar na praia, pisar na areia, colocar a cadeira de frente para o mar nos admiramos com esse maravilhoso horizonte, mas ao fechar os olhos, pensamos nas possibilidades da capital do lado oposto na serra. É incrível que estando tão perto do oceano esse passe quase desapercebido. Não irei me aprofundar para explicar coisas de origens Guaiaó como os Sambaquis, nem dos característicos canais de Saturnino de Brito que com mais de cem anos ainda são uma marca da cidade.

Muitos creditam ao porto a importância de desenvolvimento, mas este só foi possível, assim como o contato com outras culturas, devido à relação com o mar. Poderia ter ocorrido em vários pontos do litoral da América do Sul, mas, foi aqui e, por isso, deveríamos pensar mais sobre esta relação geográfica com o mar.

Mais de 40% da população mundial vive nas áreas próximas ao litoral, das quais mais de 30% estão no nível do mar, pouco acima, ou abaixo destes. E é por este motivo que existem inúmeros estudos, debates, projetos, construções e investimentos no mundo todo. Não pretendo apresentar a seguir soluções que devam ser replicadas, e sim que estimulem nossas reflexões e criatividade. Cidades como Veneza, Amsterdam, Roterdam, sofrem com o aumento do nível do mar; outras como New York, Brooklin, Boston, Berlin, Londres repensam a ocupação dos rios e do mar; e outras, como Seul, revitalizaram os rios tampados trazendo-os ao ar livre novamente. São ideias que vão de ocupações temporárias como a piscina de verão de Berlim, ou pavilhões flutuantes, a parques e praças flutuantes em cidades que perderam espaço na terra como o Pier 55 em New York. Todas estas cidades estão debatendo o tema, intensamente, muitas vezes sem consenso, mas há uma reflexão forte sobre a importância desta relação com as águas.

Por exemplo, Pier 55 de New York de Heatherwick Studio foi bem polêmico, mas o projeto é incrível, resgata a ideia de pilotes do píer e traz à luz a topografia do fundo do mar numa estrutura que proporciona um parque com arena aberta. Foi embargado pela promotoria pública, pois é financiado por capital particular, mas foi liberado pelo meio ambiente. Fora isso, em 2019, a cidade anunciou um investimento de mais de US$ 10 bilhões para o desenvolvimento de projetos dirigidos a encontrar soluções para as já previsíveis inundações da parte baixa de Manhattan, o próprio Central Park, que apresentarei em breve em outro artigo.


Outro bem polêmico foi “The Lens” projeto elaborado pelo escritório Michael Maltzan Architecture, vencedor do novo desenho do Cais da cidade. St. Petersbourg Pier tem sido uma peça central do cais desta cidade com quase 200 anos de existência. O novo projeto avança sobre o mar e traz um passeio público inusitado, propondo às pessoas a caminhar pelo mar. O mais interessante é a curva, que propõe durante o passeio um novo olhar sobre a cidade. A polêmica iniciou no concurso, depois na avaliação e divulgação do resultado.

O arquiteto e pesquisador de arquitetura Eric Baldwing escreveu recentemente um ótimo artigo que ele chamou "Arquitetura no mar: pavilhões flutuantes e a beleza da impermanência”, dos quais destaco alguns interessantes:

 

. Cristo criou a obra temporária ”caminhem sobre as águas” um píer com 3km de caminhada sobre um plástico amarelo flutuante;

O projeto do Clube de Natação do Canal, desenvolvido pelo Atelier Bow-Wow e o Architectuuratelier Dertien 12, o projeto propõe um novo espaço público multifuncional para relaxar, tomar sol e até mesmo nadar nos canais de Bruges;

A piscina pública no Spree River em Berlin, que tive a oportunidade de visitar, do Wilk-Salinas Architekten, teve tanto sucesso que recebeu uma cobertura temporária para manter-se funcionando no inverno.

Estes são alguns poucos exemplos que confirmam minha hipótese de pensar mais e melhor nossa relação com as águas.

Artigo publicado na Revista MixDesign Fev/ 2021




sábado, 12 de dezembro de 2020

Economia criativa. Design&consumo colaborativo. L I V R O


As máquinas de escrever acabaram, os cursos de datilografia acabaram, os professores também, mas o número de teclados e pessoas datilografando só aumentou.

Você já deve ter se perguntado: está na hora de mudar? tenho que ressignificar minha vida ou minha empresa? 

Pode acreditar, essa dúvida é da grande maioria.

Apresento meu novo livro, Economia criativa na prática traz relatos da aplicação de teorias sobre este novo modelo econômico nos meus projetos, e seus resultados. É uma experiência de de mais de vinte anos, estudando, lendo e visitando cidades, escritórios de arquitetura e interiores, e escolas pelo mundo para entender e interpretar este novo movimento. Apresento esta economia a partir da criatividade do mundo do design e do consumo, associados no título pelo & comercial, e principalmente pelo novo método de trabalho criativo: o colaborativo. Durante muitos séculos a criatividade esteve associada ao ser brilhante, que tinha um estalo impulsivo e criava coisas brilhantes. Bem, o mundo mudou e hoje esta interação com a diversidade faz parte do processo criativo.

O mundo ficou hipercomplexo, tudo muda a todo momento por isso devemos estar preparados para o inesperado e a criatividade é o fator potencial para conseguir algo novo, e quando este novo está inserido na economia gera empregos e ativa o mercado local.

Devemos compreender consumo como uma disciplina focada no ser humano e junto com o design nos orientar a um futuro sustentável. Onde a desmaterialização, o pensamento não linear e o crescimento exponencial, ligados à tecnologia digital, trazem uma nova forma de compreender nossas vidas.

Aqui a colaboração passa a ser o melhor método para encontrar os melhores resultados, ter uma vida de coexistência com as diversidades, amplificando o engajamento para gerar impacto social positivo.

Tudo isto que a teoria vem debatendo já está sendo colocado em prática, temos bons exemplos no mundo todo e aqui no Brasil.

Então respondendo a sua pergunta, sim você deve mudar e começar já.

O livro apresenta a importância de se reinventar, de ressignificar o que fazemos, de buscar o significado de nossas vidas e como design ajuda nisso. Entender de fato o que fazemos para definir o conceito que pode nos manter ativos na economia.

A criatividade como fator potencial para conseguir algo novo e, que este novo possa estar inserido na economia; Arquitetura e design de interiores como promotores da economia criativa e do mercado local; Estar preparado para o inesperado, pois o mundo muda a todo momento, os próximos anos serão muito diferentes dos passados; A colaboração como método para encontrar os melhores resultados e uma vida de coexistência com as diversidades, amplificando o engajamento para gerar impacto social;

A importância da visão de futuro, para ver oportunidades só é possível se entendermos que vivemos num mundo hiper complexo;

A compreensão de consumo como a disciplina que junto com o design nos orienta a um futuro sustentável.

Quem quiser adquirir direto com a editora Demais pelo instagram @demaiseditora , facebook ou site http://www.demaiseditora.com.br/