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quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Arquitetura Discreta, Luxo Absoluto. Quando o traço se torna desejo e o espaço, identidade. por: Alvaro Guillermo

 Arquitetura Discreta, Luxo Absoluto.

Quando o traço se torna desejo e o espaço, identidade.

Alvaro Guillermo

O mercado de luxo deixou de vender apenas produtos há muito tempo. Hoje, ele entrega experiências, narrativas e atmosferas. Nesse cenário, a arquitetura se revela como um dos ativos mais estratégicos e simbólicos. Em um mundo saturado por imagens e repetições, o espaço construído ainda tem o poder de ser único, memorável e, acima de tudo, desejável.

No luxo, a arquitetura é branding, porque reforça a identidade e apresenta a marca de forma rápida e eficaz:

  • arquitetura comunica valor simbólico: tempo, cultura, autoria.
  • cria cenários de exclusividade: irrepetíveis, singulares.
  • transforma marcas em experiências sensoriais, emocionais e imersivas.

A arquitetura também revela os desejos e os modos de vida das pessoas — seus anseios concretizados em três dimensões. Por isso, observamos uma mudança significativa nas escolhas para os ambientes: uma preferência crescente por propostas mais clean”, essenciais e autênticas.

O luxo silencioso: quando menos é muito mais.

A arquitetura pode ser a própria definição de luxo — sem ostentação, mas com sofisticação visceral.

Aman Tokyo (Japão) interiores da empresa Kerry Hill Architects, com Luxo minimalista inspirado nos templos japoneses é um grande exemplo. A luz, os materiais naturais e o silêncio criam uma experiência quase espiritual.





Villa Vals (Suíça) da SeARCH & CMA Architects é uma casa escondida na montanha, quase invisível na paisagem, mas deslumbrante por dentro. Um exemplo de luxo integrado à natureza.




Andronis Suites (Grécia) da kapsimalis architects Suítes cavadas nas falésias de Santorini, reinterpretando a arquitetura vernacular com sofisticação. O luxo está na vista e na paz.




Casa das Canoas (Brasil) de Oscar Niemeyer, ícone da brasilidade modernista. Ainda subexplorada como ativo de luxo nacional.



Uma oportunidade para o Brasil. Com uma tradição arquitetônica ímpar — do modernismo  e brutalismo às expressões vernaculares — o Brasil possui um capital simbólico extraordinário. Falta apenas convertê-lo em estratégia de marca, produto e narrativa.

Neste sentido a Arquitetura com bons projetos gera posicionamento, que é essencial para as marcas. É hora de tratá-la como vetor de diferenciação no mercado de luxo — nacional e internacional. A linguagem dos desejos torna arquitetura como reflexo de novos modos de viver.

O verdadeiro luxo não grita — ele sussurra com elegância.

Em tempos de repetição e excesso, a arquitetura pode ser exceção. E no luxo, exceção é sinônimo de valor.








segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Cidades para o ser humano.

A maioria das cidades foram pensadas para atender máquinas e automóveis, existe um posto de abastecimento de combustível em trechos curtos de circulação, às vezes em menos de 100 metros de distância encontramos dois ou três. Mas, não encontramos apoio ao ser humano nesse mesmo espaço, faltam bancos de descanso, áreas de sombreamento, entre outros. As cidades devem ser pensadas para o uso público do ser humano e um dos pontos mais evidentes desta desconsideração com o ser humano é a falta de banheiros públicos decentes com cuidados higiênicos que permitam, de fato, seu uso.


Os banheiros são um símbolo da cultura de hospitalidade do Japão mundialmente reconhecida. Reforçando esse conceito surgiu o projeto Tokyo Toilet, são 17 instalações projetados por arquitetos famosos e premiados como Tadao Ando e Kengo Kuma, que também serviram de cenário para o filme os dias perfeitos, indicado ao Oscar 2024.


As características formais e estéticas dos banheiros proporcionam ao local que estão instalados a referência urbana, proporcionando também à comunidade que mora na região um alto grau de pertencimento. Isto colabora para a preservação e cuidado dos ambientes, mesmo já tendo uma zeladoria especializada (representada no filme) e tecnicamente projetos que atendem às necessidades de higiene e inclusão. Isto também ajuda a promover e disseminar a importância da higiene pessoal, o que traz como consequência imediata a melhoria de qualidade de vida e saúde, e desta forma menor uso do sistema de saúde público.


Amayadori, Jingu-Dori Park, de Tadao Ando



O arquiteto Tadao Ando, vencedor do prêmio de Pritzker, desenvolveu este banheiro público circular com elemento vazado de metal vertical, criando privacidade, e mantendo a circulação do ar.

A altura e cobertura foi estruturada entre as cerejeiras no parque Jingu-Dori.

Segundo Ando "era vital criar um espaço confortável e seguro", ​​que denominou de Amayadori – (abrigo de chuva em japonês).



Banheiro, estação Ebusi, de Kashiwa Sato


O designer Kashiwa Sato, que criou o Branding para a varejista de roupas japonesas Uniqlo, criou esse banheiro quadrado a partir de frisos brancos de Alumínio. As instalações brancas e brilhantes geram aparência de limpeza. Sato quis criar um símbolo do bairro.




Banheiro, parque comunitário Haru-no-Agawa, por Shigeru Ban


Ban, vencedor do prêmio de Pritzker, desenhou 2 banheiros que ficaram famosos pelos materiais escolhidos de forma inusitada. O vidro colorido nas paredes transparentes, dá segurança higiênica e permite verificar se estão em uso.

Assim que o usuário entra e fecha a porta as fachadas coloridas dos banheiros se tornam opacas dando privacidade.  São três ambientes separados - um masculino, feminino e banheiro acessível - divididos por paredes espelhadas.



Banheiros públicos em Shibuya:

São 17 banheiros públicos em Shibuya redesenhados por 16 criadores do mundo todo, seguem em ordem alfabética: 

Fumihiko Maki, Junko Kobayashi, Kashiwa Sato, Kazoo Sato, Kengo Kuma, Marc Newson, Masamichi Katayama, Miles Pennington, Nao Tamura, NIGO®, Shigeru Ban, Sou Fujimoto, Tadao Ando, Takenosuke Sakakura, Tomohito Ushiro, Toyo Ito.


Artigo publicado na Revista MixDesign 77




quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Arquitetura, sustentabilidade e turismo regenerativo.


 Após este choque da pandemia da Covid-19 o turismo passa por uma intensa reflexão de sua retomada, onde hábitos e costumes, de fato, mudaram e afetam diretamente este setor.

No caso da arquitetura e interiores, evidentemente gerou uma rápida demanda para atender novos protocolos de higiene e distanciamento.

No entanto, um dos temas mais promissores está sendo o turismo regenerativo, pois não está se apresentando como uma alternativa à pandemia, e sim à sustentabilidade, com um conceito mais profundo da mobilidade humana e sua relação com o meio ambiente e a natureza.

Como o próprio nome diz, este tipo de turismo tenta regenerar aquilo que já foi afetado pelo homem, trazendo vida nova aos ambientes que sofreram impactos negativos. Portanto, não se trata de preservar e sim trazer de volta à vida os ecossistemas afetados. É um bom exemplo de sustentabilidade que permite ao ser humano manter o contato com esses ambientes naturais, e não apenas afastá-lo na busca da revitalização local. 

Tem vários aspectos positivos, destaco alguns, primeiro do ponto de vista ecológico: temos necessariamente que recuperar e regenerar estas áreas afetadas urgentemente, o mundo estabeleceu uma agenda ecológica de sobrevivência para 2030 que parece inatingível, e é altamente desafiadora. Neste sentido o Brasil, na sua área costeira e, principalmente, da mata atlântica tem muito a fazer.

Outro ponto importante é a ativação da economia local com responsabilidade para manutenção deste conceito. Hoje é desnecessário comprovar a importância de gerar empregos e manter o mercado local funcionando.

 Este termo de turismo regenerativo é coerente com a filosofia de sustentabilidade, pois não se trata apenas de uso de energias renováveis, reuso de água, utilização de materiais ecologicamente corretos ou seleção e destino do lixo, mas também do tripé social, ambiental e econômico.



Existem alguns bons exemplos de hotéis para este turismo sustentável, como The Brando, na Polinésia Francesa, do arquiteto Harry Gesner. Localizado na Ilha do ator Marlon Brando, por isso leva seu nome, que com menos de dez anos já recebeu vários prêmios e é considerado um dos melhores do mundo. 

E gostaria de destacar outro hotel, que também tem uma forte relação com o mar, projeto do escritório Foster + Partners na ilha Shurayrah, no Mar Vermelho.

O projeto é apontado como uma das iniciativas de turismo regenerativo mais ambiciosas do mundo, concebido para se mesclar inteiramente ao mar e ao ambiente natural. O projeto tem como centro a biodiversidade e a economia local, evitando impactos negativos nos ecossistemas da ilha como os manguezais. Este tipo de proposta de arquitetura e interiores aponta para um caminho emergente onde a sustentabilidade deixa de ser uma exigência normativa para se tornar um princípio filosófico, apresentando coerência com a vida do planeta, como o próprio escritório Foster descreveu: “o hotel foi projetado para dar a impressão de que foi trazido naturalmente às praias, inserido entre as dunas quase como troncos trazidos pelo mar. ”





Artigo publicado originalmente da revista MixDesign jun 2021

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Brasília História e Estórias

Brasília História e Estórias





Eduardo Kneese de Melo auxiliou Oscar Niemeyer na construção de projetos renomados para a Capital Federal
O livro escrito por Eduardo Kneese de Melo, editado e publicado pela Demais editora, uma empresa do Mais Grupo, conta a história de Brasília desde seu início, na era do planejamento.
O autor, primeiro presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) em São Paulo, entre 1943 e 1949 trabalhou na equipe de Oscar Niemeyer, ao lado de outros profissionais como Ulhoa Cavalcanti e Zenon Lotufo, Kneese de Melo participou da  construção de Brasília além da execução do projeto do Parque do Ibirapuera, inaugurado em 1954 na cidade de São Paulo.


editora: Demais F: 5097342
ano: 1992
estante: Arquitetura
peso: 300g
Ilustrado. 77p. Formato 15x15cm.

Tive a sorte de encontrar grandes homens, como Eduardo Kneese de Mello, fundador do IAB e como ele gostava de se apresentar "carteirinha 01 do IAB - Brasil " motivo pelo qual muitos o apresentavam como o primeiro Arquiteto Brasileiro.
Foi meu professor e amigo, com quem compartimos muitas conversas, até o último dia.
Estava escrevendo sobre sua história na construção de Brasília.
Convidou seu amigo Oscar Niemeyer a vir a São Paulo, (de carro), para conversar com os alunos na antiga Faculdade Farias Brito (Universidade de Guarulhos), onde estudei e na época era professor.
O país estava iniciando o processo de "abertura" política.
Oscar foi de uma gentileza única, fazendo uma das melhores palestras que vi na minha vida.
Tinha me solicitado, para sua apresentação, apenas folhas de papel em branco grandes, e ali num Flip Chart, dedicou-se por uma hora a falar e desenhar.
Não parou de desenhar enquanto falava. Todos esses desenhos foram doados à Universidade.
Saímos para almoçar e mesmo sendo um jovem curioso, mal conseguia abrir a boca para interromper a conversa e as histórias de dois grandes Mestres.
Nunca mais me esqueci dessas palavras, e hoje repito muitas delas na minha aula e palestra de brasilidade, que encanta os jovens.
Numa rara pausa consegui solicitar ao Niemeyer que escrevesse uma pequena apresentação sobre o Keenese para um possível livro que ele estava escrevendo, e que eu o estava ajudando. Disse que pelo menos faria a capa com uma ilustração de sua obra, mas que não sabia como faríamos para editar o livro, que era um sonho e que Kneese merecia registrar essas histórias.
Niemeyer me respondeu "na vida tudo é feito com paixão e amor" e fez seu depoimento ao kneese de próprio punho com sua letra peculiar.
Ele tinha razão: tempos depois abrimos uma editora (Demais) apenas para lançar o livro do Keenese, o desenho da capa é meu e na contra capa o texto de O. Niemeyer. Todos ficamos felizes.
Foi um tempo que as conversas eram mais importantes que as fotos.
Por sorte uma amiga registrou o encontro com esta única foto que tenho, e por sorte a Meire a guardou, e a Ceci a encontrou.
A conversa, está na minha cabeça.



Eduardo Kneese de Mello, Oscar Niemeyer, Alvaro Guillermo