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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

O Grand Ring e o Valor da Arquitetura como projeto e legado

 A maior estrutura de madeira do mundo marca a Expo 2025 e levanta discussões sobre o papel simbólico e estratégico da arquitetura em grandes eventos.




A Expo é um evento importante no calendário mundial, abrangendo as mais diversas áreas do conhecimento. Para a arquitetura, interiores e construção, ela funciona quase como um balizador das ideias e conceitos que moldam — e moldarão — nosso futuro próximo.

O Japão, país-sede, já se destaca com o projeto de Sou Fujimoto: o Grand Ring, estrutura que também faz parte do master plan do evento. O Grande Anel foi construído predominantemente com cedro japonês, cipreste e pinheiro silvestre, ressaltando o valor simbólico dessa mistura entre materiais nativos (70%) e estrangeiros. Seu diâmetro externo atinge 675 metros (615 m na face interna) e cobre uma área de mais de 61.000 m², tornando-se a maior estrutura arquitetônica de madeira do mundo. A construção combina métodos modernos com a técnica tradicional “nuki”, utilizada em santuários e templos japoneses. 

A madeira vem ganhando espaço na construção civil — inclusive em edifícios de múltiplos andares —, especialmente no Japão, onde hoje cerca de 90% das casas unifamiliares são feitas com estrutura de madeira.





  

A Expo 2025 tem sido alvo de elogios e críticas. O Grand Ring, por exemplo, foi amplamente reconhecido por sua ambição, mas também criticado pelo alto custo (¥235 bilhões no total do evento), além da falta de áreas sombreadas e de materiais adequados para o clima local. Outra grande discussão é o que será deste projeto ou seus materiais aptos o fim da Expo.

O Pavilhão do Brasil também gerou controvérsias. O primeiro lugar no Concurso Nacional para o Pavilhão Brasileiro na Expo Osaka 2025 ficou com o Studio MK27/Magnetoscópio, de São Paulo. No entanto, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), responsável pela obra, considerou o valor orçado elevado demais e apontou riscos de não concluir o projeto a tempo. Segundo Dantas e Kogan, a proposta estava dentro dos R$ 25 milhões previstos no edital, já com construtora licitada. Como não havia tempo hábil para um novo concurso, a curadoria foi entregue a Bia Lessa.

A Expo 2025 segue até 13 de outubro, mas os números já indicam um desinteresse do público, com a venda de ingressos ficando cerca de 30% abaixo do esperado.

Nesse dilema, é importante que as críticas considerem também o valor do projeto arquitetônico — e não apenas os custos de execução. Afinal, na Expo, a arquitetura dos pavilhões é a responsável por “vender” a imagem de um país. São esses espaços que comunicam ideias, valores e visões de mundo, e que permanecem na memória dos visitantes.

Um bom exemplo disso é o Pavilhão de Barcelona, projetado por Ludwig Mies van der Rohe e Lilly Reich para a Exposição Internacional de 1929. Ícone da arquitetura moderna, o pavilhão é celebrado por sua simplicidade, uso inovador de materiais e continuidade espacial. Reconstruído na década de 1980, tornou-se um marco arquitetônico e um destino turístico permanente — além de seguir influenciando gerações de arquitetos.

Por isso, investir em arquitetura e design não é apenas justificar um custo: é deixar um legado.

projeto: Studio MK27/Magnetoscópio, de São Paulo

Projeto: Bia Lessa.

Matéria publicada originalmente na Revista MixDesign 84

terça-feira, 6 de setembro de 2022

200 anos de Brasília em Santos. O protagonismo da cidade na capital do país.

 Quando falamos na história da nova capital, Brasília, geralmente lembramos da autoria de três pessoas: Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Raramente recordamos a importância que esse tema teve, em 1822, e que a cidade de Santos desempenhou um papel imprescindível para esse fato pudesse ocorrer. 



 

Também pensamos em Brasília como uma cidade nova, de 62 anos de construção, é verdade, mas a ideia de mudar a capital do Rio de Janeiro para o interior, é muito anterior.

 

Desde de 1822, quando se toma a decisão de separar o Brasil de Portugal, começa-se a pensar, estrategicamente, em mudar a capital para o interior. Nesse momento passa a ter um papel especial o santista José Bonifácio de Andrada e Silva que foi ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros de janeiro de 1822 a julho de 1823, e conselheiro de D. Pedro I. 




 

Bonifácio é reconhecido por vários feitos militares e políticos e pelo Manifesto Paulista, uma carta escrita por José Bonifácio de Andrada e Silva, no Solar dos Andradas, em dezembro de 1821, onde solicita a D. Pedro que não cumpra as ordens vindas de Lisboa e permaneça no Brasil, atendendo ao desejo dos paulistas.

 

Vários motivos fortaleceram a ideia da mudança, afastar do conceito português impregnado no Rio de Janeiro e, principalmente, buscar a interiorização da capital longe do ataque de navios e perto de rios que ligassem o sul ao norte do país.

 

Bonifácio articula essa mudança a partir da independência e o mais importante: nomeia a cidade em carta à Assembleia Constituinte, propõe a interiorização da capital para o Planalto Central e sugere que seja batizada de Petrópolis ou Brasília.

 

Assim, na Constituição de 1891, a mudança a capital no centro do Brasil se transformou em Lei.

 

Cem anos mais tarde, em 1922 , durante as celebrações do Centenário da Independência do Brasil, foi inaugurada a Pedra Fundamental da futura capital. E só em 1955 durante um comício em Goiânia, o então candidato à presidência Juscelino Kubitschek, se propôs a respeitar a constituição. Nesse evento, Juscelino foi pressionado por um eleitor que pergunta se iria mudar a capital para o planalto central, como constava na Constituição de 1891. Juscelino promete não apenas iniciar a mudança como inaugurar a capital. Movimento que ficou conhecido como 50 anos em 5. Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, mas essa é outra história, que a maioria já conhece.

 

Em setembro deste ano comemoraremos 200 anos de independência do Brasil, um movimento importante para nosso país, com papel fundamental de um santista, que da origem também à nova capital, um exemplo de urbanismo, arquitetura e design moderno brasileiro para o mundo.




Artigo publicado na Revista MixDesign ago/set 2022

domingo, 20 de fevereiro de 2022

100 anos da semana moderna de 22. E o impacto na arquitetura e interiores.

 De 11 a 18 de fevereiro de 1922, ocorreu, na cidade de São Paulo, o que foi nomeado como a Semana de Arte Moderna – a manifestação de diversos intelectuais paulistas e cariocas sobre aquilo que “havia de mais rigorosamente intelectual no mundo das artes”1, da escultura, pintura, literatura, música e arquitetura.  ( Apesar de ter tido apenas 3 dias de espetáculos ficou conhecida como a Semana moderna).


 

Nesse grupo de intelectuais, destacavam-se grandes nomes, como a pintora Anita Malfatti, os escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia, o escultor Victor Brecheret, o arquiteto espanhol Antonio Garcia Moya e o suíço John Graz, apresentado na Semana como pintor, mas que também atuaria bastante com o design da forma mais completa que conhecemos, desenhando desde maçanetas, mobiliário e luminárias a interiores, assim ele foi o representante de nosso segmento.

Logicamente que a turbulência estética mundial – principalmente a europeia, ao abandonar a linguagem que vigorava no século XIX – e os movimentos de vanguarda, como o cubismo, o expressionismo e o futurismo, influenciaram esses intelectuais, já que a maioria tinha educação europeia e era recém-chegada de lá. Havia um grande interesse na liberdade de criar e na experimentação, em romper com o que representava o passado. Isso passou a ser esse criativo moderno.

O que nos motiva neste artigo está, porém, além disso. Trata-se da busca por uma linguagem brasileira, apresentada claramente no Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, que pregou a “digestão” dos valores importados e a criação de uma identidade brasileira, uma brasilidade marcada pelo senso de humor e ironia, e declarou “TUPI OR NOT TUPI”.

O Brasil daquele início de século XX começa a apresentar potencialidades para o desenvolvimento de algo realmente novo, criativo e com uma nova linguagem brasileira. Algo que poderemos chamar de brasilidade, afinal. Nessa ideia, ainda se entende um rompimento com os valores estéticos predominantes, importados principalmente da Europa: semente necessária para o entendimento dos próximos passos que iremos abordar – que, se fosse focado nas artes, seria um longo artigo, mas o foco aqui é Arquitetura e Design.

Logo na sequência, chega ao Brasil o arquiteto russo Gregori Warchavchik – natural de Odessa, na época parte da Rússia e hoje Ucrânia –, que trazia consigo as ideias de Walter GropiusMies van der Rohe e Le Corbusier. Apesar de o nosso País não ter, então, conhecimentos claros sobre os papéis do arquiteto e do engenheiro como já existiam em outros países, foi esse clima de modernismo que motivou Warchavchik a aplicar esses conceitos.

Dois anos depois de sua chegada, Warchavchik escreve um artigo intitulado “Futurismo? Acerca da Arquitetura Moderna”, considerado o manifesto da arquitetura modernista no Brasil. O artigo expõe algumas ideias do arquiteto sobre o novo padrão de estética arquitetônica que estava florescendo, demonstrando a necessidade de as edificações acompanharem a evolução tecnológica, modernizando-se: não apenas com a utilização de técnicas construtivas, mas principalmente em relação à estética da construção, estética esta entendida de forma mais “limpa”, desprovida de ornamentos inúteis que não eram coerentes com o novo estilo de vida moderno brasileiro. Dessa forma, assim como os modernistas de 22, Warchavchik defendeu a arquitetura livre de valores do passado, mas atada aos valores novos da modernidade.



Assim, no seu primeiro exercício, constrói sua casa em 1927, na Rua Santa Cruz, no bairro de Vila Mariana, em São Paulo. A obra foi concluída em 1928 e é considerada a primeira casa modernista2 do País, ( e hoje segundo Framptom a primeira do mundo), conseguindo refletir essa que seria a “essência” nacional. Logicamente que a conclusão da obra foi um choque para a sociedade, acostumada com palacetes estilo francês. 

No seu exterior, a casa contava com um projeto paisagístico moderno de autoria de sua esposa, Mina Klabin Warchavchik. Como era de se esperar, o casal levou o conceito de modernidade aos mínimos detalhes da habitação, e, dessa forma, foi necessário desenhar todo o interior da casa, os móveis, a iluminação. A decoração precisou ser toda desenhada pelo arquiteto, dando início aqui ao entendimento de um Design brasileiro, feito no Brasil com inovação e apoiado num discurso claro (apresentado por meio de um manifesto – coisa comum à época), de acompanhar a evolução tecnológica.

 

1.     Gonçalves, Marcos Augusto. 1922, a Semana que Não Terminou. São Paulo, Companhia das Letras, 2012.

2.     A casa, hoje pertencente ao Estado de São Paulo, foi tombada em 1980 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado e reconhecida como Patrimônio Histórico pelo IPHAN, tornando-se um parque.


artigo originalmente publicado na MixDesign fev22




quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

A VIDA SECRETA DAS ÁRVORES.

 


Uma das coisas que mais me chamou a atenção é que o livro está nlista de mais vendidos do The New York Times, com mais de 1 milhão de livros vendidos. É muito bom quando vemos livros que atingem esse patamar principalmente de cientistas ou filósofos. Neste caso de um cientista: Peter Wohlleben,engenheiro florestal e divulgador científico alemão, conhecido por suas obras populares sobre temas ecológicos.

 

Este é um livro que abre a mente para o conceito de ecologia, da vida (bio) e também de sustentabilidade, principalmente quando passamos a pensar na extensão da vida e na noção do tempo. Em comparação à vida humana, em média, as árvores vivem até 10 vezes mais, o que reforça a ideia que plantar árvores e/ou preservar as existentes amplia a consciência de nossa relação com as gerações futuras, já que são essas que irão conviver com árvores adultas, de mais de cem anos de vida. Eu que tenho escrito bastante sobre o Slow e longevidade, principalmente Slow design, o ritmo da natureza e das árvores em especial nos ensina muito.

 

Aliás, a educação familiar é uma das felizes descobertas que a leitura me trouxe.

 

“Uma boa educação é garantia de uma vida longa, mas às vezes a paciência das mudas se esgota.”Wohlleben pág. 37.




Se entendermos que esse aprendizado se dá através da seleção e transmissão de informações entre as árvores é possível passar a acreditar que estas informações podem ser repassadas através de suas raízes que mantém contato no subsolo com outras árvores da família, ou não, e com milhares de seres vivos que ali habitam (especialmente fungos) e que são invisíveis para nós, motivo pelo qual nem paramos para pensar em sua existência, como o próprio autor cita temos mais conhecimento sobre o espaço e a superfície lunar, do que os nossos subsolos ou fundo dos oceanos.

 

Esta de rede de conexões que se dá pelas raízes está sendo estudada pela ciência com mais profundidade.  


“ciência já fala da existência de uma 'wood wide web" que permeia as florestas. As pesquisas sobre quais e quantas informações são trocadas ainda estão no início. O que já se sabe é que os fungos seguem uma estratégia, calcada na intermediação e no equilíbrio, que às vezes põe em contato diferentes espécies de árvores, mesmo que sejam concorrentes.”pág. 16.




O texto é simples e acessível o que incentiva a leitura, principalmente a humildade do autor ao citar seus erros e de outros cientistas, não delegando o fardo das extinções apenas aos exploradores de florestas. Apesar de ter dedicado sua carreira na floresta da Alemanha, e por isso os exemplos se baseiam em dados desta floresta, tem citação ao Brasil, expandindo o conceito ecológico a uma consciência planetária, mais obvia agora com esta rede de conexões e informações.


“Também descobriram que o processo inteiro é interrompido quando as florestas costeiras são desmatadas. É como se alguém removesse os tubos de sucção de

água de uma bomba elétrica. No Brasil, as consequências já começaram a surgir: o nível de umidade da Floresta Amazônica está cada vez mais baixo. A Europa Central, a cerca de 600 quilômetros da costa, ainda faz parte da área de alcance da bomba de

sucção, e felizmente ainda existem florestas na região, apesar de sua área já ter diminuído bastante.”pág. 98.






Leitura imprescindível, para arquitetos, designers e paisagistas, e para todos aqueles que moram um algum país que tenha sua origem em árvores, como por acaso o Brasil, Terra Brasilis, terra dos Pau-Brasil, ou a árvores em brasa, queimando vermelhas.

 



domingo, 13 de dezembro de 2020

Brasilidades Santos

 


Muito feliz de fazer parte desta campanha que valoriza o objeto brasileiro feito à mão, da loja Brasilidades santos que preserva a diversidade da cultura brasileira, do nome às paredes de taipa. É uma visita obrigatória de quem está ou vai a Santos, a loja tem projeto da Carla Felippi que propõe um percurso de conhecimento das mais diversas técnicas de várias regiões do país, começando pelo cobogó da fachada, acompanhado de aromas, cerâmicas, plumas, tramas, madeiras até sabores num jardim bem brasileiro com cozinha e gastronomia.


Na juventude fui estimulado a viajar pelo Brasil, principalmente por minha família, por duas mulheres arquitetas Lina Bo Bardi e Janete Costa, e por meu professor e amigo Eduardo Kneese de Mello. Estes arquitetos sempre reforçavam a importância de viajar e conhecer a diversidade de conhecimentos do país.


Escolhi este banco por ser de Alagoas, que visito desde a década de oitenta, caminhando pelas mais diversas cidades próximas ao mar multicolorido, do sertão e da exuberância do São Francisco. Mas, comecei a me envolver mais com a região na década de 90 quando fui lecionar em Maceió e tive a grata surpresa de ter mais de 20 alunos que se tornaram meus professores e amigos, com eles aprendi muito sobre a cultura local, destaco apenas alguns poucos como a dupla Ana Maia e Rosa Piatti que tem em sua arte e design reconhecimento mundial e fazem de fato algo singular diferente com a sofisticação do das fine arts e o resgate de materiais simples do nosso redor. Também tive a oportunidade de conhecer várias comunidades de artesãs com Mirna Porto Maia, reaprender sobre o Zumbi e os Palmares, das Velas artes e das coloridas palhas. Mas, foi Maria Amélia e Dalton da galeria Karrandash que me ensinaram sobre a Ilha do Ferro, lá no São Francisco. E fiquei encantado com a minha primeira visita, é um local mágico, por sorte ainda preservado. Este banco é de lá do mestre Boró, levou quase 30 anos para que alguns brasileiros vissem estes objetos, hoje inseridos na decoração, estão presentes em mostras e revistas.

Nós podemos sentar em qualquer lugar: no chão, numa almofada, ou num pedaço de madeira. Quem já andou por este Brasil sabe como é bom sentar num tronco desses, num galho de árvore e deixar o pé na água sentindo a brisa no rosto. Ter o contato direto com a madeira é uma oportunidade rara, por isso de valor especial. Não deve se comparar o preço com produtos industrializados, devemos pensar em nossos filhos e nossas raízes, afinal Brasil vem de uma árvore.

Não posso deixar de citar a primeira dama @renata Calheiros que tem feito um trabalho maravilhoso para promover o Alagoas feito a mão, e os encontros entre designers e artesãos.

Muitos amigos antes de viajar me perguntam sobre dicas de diversas cidades, então aqui vai uma quando for a Santos não deixe de visitar a loja.

E você arquiteto e designer de interiores, que peça vai escolher para apresentar na campanha?




sábado, 12 de dezembro de 2020

Economia criativa. Design&consumo colaborativo. L I V R O


As máquinas de escrever acabaram, os cursos de datilografia acabaram, os professores também, mas o número de teclados e pessoas datilografando só aumentou.

Você já deve ter se perguntado: está na hora de mudar? tenho que ressignificar minha vida ou minha empresa? 

Pode acreditar, essa dúvida é da grande maioria.

Apresento meu novo livro, Economia criativa na prática traz relatos da aplicação de teorias sobre este novo modelo econômico nos meus projetos, e seus resultados. É uma experiência de de mais de vinte anos, estudando, lendo e visitando cidades, escritórios de arquitetura e interiores, e escolas pelo mundo para entender e interpretar este novo movimento. Apresento esta economia a partir da criatividade do mundo do design e do consumo, associados no título pelo & comercial, e principalmente pelo novo método de trabalho criativo: o colaborativo. Durante muitos séculos a criatividade esteve associada ao ser brilhante, que tinha um estalo impulsivo e criava coisas brilhantes. Bem, o mundo mudou e hoje esta interação com a diversidade faz parte do processo criativo.

O mundo ficou hipercomplexo, tudo muda a todo momento por isso devemos estar preparados para o inesperado e a criatividade é o fator potencial para conseguir algo novo, e quando este novo está inserido na economia gera empregos e ativa o mercado local.

Devemos compreender consumo como uma disciplina focada no ser humano e junto com o design nos orientar a um futuro sustentável. Onde a desmaterialização, o pensamento não linear e o crescimento exponencial, ligados à tecnologia digital, trazem uma nova forma de compreender nossas vidas.

Aqui a colaboração passa a ser o melhor método para encontrar os melhores resultados, ter uma vida de coexistência com as diversidades, amplificando o engajamento para gerar impacto social positivo.

Tudo isto que a teoria vem debatendo já está sendo colocado em prática, temos bons exemplos no mundo todo e aqui no Brasil.

Então respondendo a sua pergunta, sim você deve mudar e começar já.

O livro apresenta a importância de se reinventar, de ressignificar o que fazemos, de buscar o significado de nossas vidas e como design ajuda nisso. Entender de fato o que fazemos para definir o conceito que pode nos manter ativos na economia.

A criatividade como fator potencial para conseguir algo novo e, que este novo possa estar inserido na economia; Arquitetura e design de interiores como promotores da economia criativa e do mercado local; Estar preparado para o inesperado, pois o mundo muda a todo momento, os próximos anos serão muito diferentes dos passados; A colaboração como método para encontrar os melhores resultados e uma vida de coexistência com as diversidades, amplificando o engajamento para gerar impacto social;

A importância da visão de futuro, para ver oportunidades só é possível se entendermos que vivemos num mundo hiper complexo;

A compreensão de consumo como a disciplina que junto com o design nos orienta a um futuro sustentável.

Quem quiser adquirir direto com a editora Demais pelo instagram @demaiseditora , facebook ou site http://www.demaiseditora.com.br/

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Brasilidade: O novo que surge de encontros.



Temos ouvido falar mais sobre brasilidade, um tema que tenho tratado bastante, há quase trinta anos.

Logo após a queda do muro de Berlim, e na consequente formação da Comunidade Europeia, foram inúmeros debates em encontros internacionais dos quais participei, onde a discussão principal era a globalização versus o regional. Em todos seus aspectos, políticos, econômicos, sociais e culturais.

E de fato rapidamente sentimos a massificação de produtos e serviços, usos e costumes se unificando no nosso “globo terrestre”. E, na mesma velocidade, isso ficou chato. Da mesma forma que era chato ir para a Espanha e voltar sempre com o mesmo touro como souvenir, ou ir ao México e voltar sempre com um sombrero, ficou chato ir para qualquer lugar do mundo e encontrar o mesmo fast-food americano e todas as pessoas vestidas iguais.

Então nesses trinta anos apreendemos que havia algo nas culturas locais que era necessário preservar. Conservar é quando mantemos algo do jeito que está após a manipulação (como alimentos em um vidro de conserva). Já, a palavra preservar é utilizada no sentido de proteger e guardar.

Assim rapidamente começamos a nos questionar o que deveria ser preservado da nossa cultura, aquilo que nos é valioso e tem a ver com nossas identidades, e consequentemente começamos a questionar: o que é brasilidade? Apesar do termo remeter ao Brasil, e assim parecer que se trata daquilo que surge após 1822, a brasilidade tem mais a ver com a origem do próprio termo brasil, que vem de brasa, madeira em brasa, que dá origem ao nome pau brasil, já que em Tupi era Ibirapitanga: árvore vermelha. Ou seja, é a interpretação do europeu que chega aqui e se encanta com algo que já existia e dá um novo nome.

Umas das formas de entender a brasilidade vem desses encontros que formaram nossa sociedade. É comum ouvir e aceitar que somos uma sociedade formada pela intensa miscigenação, essa diversidade de encontros foi formando algo novo, e esses novos modificaram  o existente mas preservaram características anteriores e demos novos nomes: o Caboclo do encontro do branco e índio, o  Mulato do encontro do branco e negro, o Cafuzo do encontro do índio e negro, e os Nikkeis que com outros se encontraram, e assim por diante temos tantos outros exemplos.

Sincretismo cultural vem moldando a brasilidade. A palavra "sincretismo" se originou a partir do grego sygkretismós, que significa "reunião das ilhas de Creta contra um adversário em comum”, a ideia de se juntar para proteger.

O modernismo, que buscava o novo, no Brasil também se caracteriza por encontros, de jovens na semana de 22 (que em breve comemorará 100 anos), dos estrangeiros que aqui encontraram solo fértil para suas criações fazendo algo diferente do que faziam em seus países de origem. Como Gregori Warchavchik e a primeira casa modernista, Pietro M. Bardi e o Museu de Arte de São Paulo, Lina Bo Bardi e todas suas obras espalhadas pelo pais, Karl Heinz Bergmiller e o design industrial, Salszupin e o mobiliário, e tantos outros. Esteve também no cinema novo de Glauber Rocha que traz o sertão para a cidade, na Bossa Nova de Tom que leva a natureza para a música, no teatro inovador da Oficina de Zé Celso C. Martinez que descontrói a plateia.

Mais recentemente temos os encontros de designers com artesãos gerando novos produtos e objetos a partir da preservação de saberes e principalmente do fazer à mão. A nossa cultura tem como resultado estético a ação do homem, e principalmente da mão. Brasilidade carrega a marca do feito à mão também, e à várias mãos, onde a interferência de cada uma cria o novo, inusitado, o inesperado. Isso estava na intenção, por exemplo, dos murais de Athos Bulcão onde o assentador de azulejos ditava o ritmo e a ordem e o desenho da peça foi desenvolvida para este fim.

No design de interiores hoje encontramos a brasilidade de várias maneiras, por exemplo nos usos que damos aos ambientes. Mas gostaria de destacar a crescente valorização dos objetos brasileiros na decoração. Objetos da cultura popular até pouco tempo desvalorizados, e muitas vezes guardados, começam a ter destaque nos ambientes, acompanhando peças de arte ou mobiliário importado. O que é muito bom. Desta vez o objeto brasileiro de encontro com o importado. Este encontro do antigo e do novo, do artesanal com o industrial e o objeto da cultura popular e regional junto ao global e importado vem caracterizando o design de interiores no Brasil, e assim ajudando a formar o conceito de brasilidade.



No entanto é bom lembrar que original significa que conhecer a origem. Então muito cuidado na hora de escolher e comprar esses objetos, consulte a origem, conheça de onde vem, como foi feito, como é a comunidade que trabalha com essa técnica, por que utiliza determinada técnica. E conheça o significado dos símbolos utilizados, a diversidades de culturas existentes em nosso país desenvolveu inúmeras iconografias que por muitas vezes é desconhecida, mas é importante que o especificador, seja o profissional de design de interiores ou o vendedor saiba lhe orientar. Perceba como facilmente você identifica a diferença entre um ideograma chinês de um hieróglifo egípcio, mas desconhece a diferença entre um desenho Marajoara ou do Xingú. Ou, como rapidamente percebe a diferença entre um vidro de Murano de um cristal Tcheco, mas não consegue distinguir uma cerâmica de Cascavel no Ceará de uma de Santa Catarina, ou do bordado Filé de Alagoas do labirinto do Ceará.

Nesse momento que temos mais oportunidade de encontrar esses objetos, aproveite para visitar lojas e conhecer um pouco mais da nossa cultura. Não duvido que ficará admirado com a riqueza que tem para oferecer.


Publicado na Revista Mix Decor 04/19

 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Brasília História e Estórias

Brasília História e Estórias





Eduardo Kneese de Melo auxiliou Oscar Niemeyer na construção de projetos renomados para a Capital Federal
O livro escrito por Eduardo Kneese de Melo, editado e publicado pela Demais editora, uma empresa do Mais Grupo, conta a história de Brasília desde seu início, na era do planejamento.
O autor, primeiro presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) em São Paulo, entre 1943 e 1949 trabalhou na equipe de Oscar Niemeyer, ao lado de outros profissionais como Ulhoa Cavalcanti e Zenon Lotufo, Kneese de Melo participou da  construção de Brasília além da execução do projeto do Parque do Ibirapuera, inaugurado em 1954 na cidade de São Paulo.


editora: Demais F: 5097342
ano: 1992
estante: Arquitetura
peso: 300g
Ilustrado. 77p. Formato 15x15cm.

Tive a sorte de encontrar grandes homens, como Eduardo Kneese de Mello, fundador do IAB e como ele gostava de se apresentar "carteirinha 01 do IAB - Brasil " motivo pelo qual muitos o apresentavam como o primeiro Arquiteto Brasileiro.
Foi meu professor e amigo, com quem compartimos muitas conversas, até o último dia.
Estava escrevendo sobre sua história na construção de Brasília.
Convidou seu amigo Oscar Niemeyer a vir a São Paulo, (de carro), para conversar com os alunos na antiga Faculdade Farias Brito (Universidade de Guarulhos), onde estudei e na época era professor.
O país estava iniciando o processo de "abertura" política.
Oscar foi de uma gentileza única, fazendo uma das melhores palestras que vi na minha vida.
Tinha me solicitado, para sua apresentação, apenas folhas de papel em branco grandes, e ali num Flip Chart, dedicou-se por uma hora a falar e desenhar.
Não parou de desenhar enquanto falava. Todos esses desenhos foram doados à Universidade.
Saímos para almoçar e mesmo sendo um jovem curioso, mal conseguia abrir a boca para interromper a conversa e as histórias de dois grandes Mestres.
Nunca mais me esqueci dessas palavras, e hoje repito muitas delas na minha aula e palestra de brasilidade, que encanta os jovens.
Numa rara pausa consegui solicitar ao Niemeyer que escrevesse uma pequena apresentação sobre o Keenese para um possível livro que ele estava escrevendo, e que eu o estava ajudando. Disse que pelo menos faria a capa com uma ilustração de sua obra, mas que não sabia como faríamos para editar o livro, que era um sonho e que Kneese merecia registrar essas histórias.
Niemeyer me respondeu "na vida tudo é feito com paixão e amor" e fez seu depoimento ao kneese de próprio punho com sua letra peculiar.
Ele tinha razão: tempos depois abrimos uma editora (Demais) apenas para lançar o livro do Keenese, o desenho da capa é meu e na contra capa o texto de O. Niemeyer. Todos ficamos felizes.
Foi um tempo que as conversas eram mais importantes que as fotos.
Por sorte uma amiga registrou o encontro com esta única foto que tenho, e por sorte a Meire a guardou, e a Ceci a encontrou.
A conversa, está na minha cabeça.



Eduardo Kneese de Mello, Oscar Niemeyer, Alvaro Guillermo

terça-feira, 8 de março de 2011

Movel Moderno no Brasil

 










comentário publicado no site da autora: http://www.closchiavo.pro.br/site/publications.html

Móvel Moderno no Brasil
(Brazilian Modern Furniture)
Author - Maria Cecília Loschiavo dos Santos
Publisher - Studio Nobel/EDUSP
Date published - 1995 - 200 pages
Book about the history of Brazilian Furniture Design in the 20th century


"Móvel Moderno no Brasil é um trabalho sério de pesquisa da formação do móvel moderno brasileiro, mas também um esforço de compreensão deste fenômeno tão pouco estudado entre nós. Nesse particular, o livro de certo modo resgata o caráter cultural, estético do móvel, em meio aos problemas técnicos e comerciais, traçando uma perspectiva que vem desde as origens do móvel moderno brasileiro, nos anos 20, até as realizações mais independentes dos anos 60 a 80. Este livro nos proporciona uma visão sintética e esclarecedora da história do nosso moderno mobiliário".
Ferreira Gullar