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terça-feira, 6 de setembro de 2022

200 anos de Brasília em Santos. O protagonismo da cidade na capital do país.

 Quando falamos na história da nova capital, Brasília, geralmente lembramos da autoria de três pessoas: Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Raramente recordamos a importância que esse tema teve, em 1822, e que a cidade de Santos desempenhou um papel imprescindível para esse fato pudesse ocorrer. 



 

Também pensamos em Brasília como uma cidade nova, de 62 anos de construção, é verdade, mas a ideia de mudar a capital do Rio de Janeiro para o interior, é muito anterior.

 

Desde de 1822, quando se toma a decisão de separar o Brasil de Portugal, começa-se a pensar, estrategicamente, em mudar a capital para o interior. Nesse momento passa a ter um papel especial o santista José Bonifácio de Andrada e Silva que foi ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros de janeiro de 1822 a julho de 1823, e conselheiro de D. Pedro I. 




 

Bonifácio é reconhecido por vários feitos militares e políticos e pelo Manifesto Paulista, uma carta escrita por José Bonifácio de Andrada e Silva, no Solar dos Andradas, em dezembro de 1821, onde solicita a D. Pedro que não cumpra as ordens vindas de Lisboa e permaneça no Brasil, atendendo ao desejo dos paulistas.

 

Vários motivos fortaleceram a ideia da mudança, afastar do conceito português impregnado no Rio de Janeiro e, principalmente, buscar a interiorização da capital longe do ataque de navios e perto de rios que ligassem o sul ao norte do país.

 

Bonifácio articula essa mudança a partir da independência e o mais importante: nomeia a cidade em carta à Assembleia Constituinte, propõe a interiorização da capital para o Planalto Central e sugere que seja batizada de Petrópolis ou Brasília.

 

Assim, na Constituição de 1891, a mudança a capital no centro do Brasil se transformou em Lei.

 

Cem anos mais tarde, em 1922 , durante as celebrações do Centenário da Independência do Brasil, foi inaugurada a Pedra Fundamental da futura capital. E só em 1955 durante um comício em Goiânia, o então candidato à presidência Juscelino Kubitschek, se propôs a respeitar a constituição. Nesse evento, Juscelino foi pressionado por um eleitor que pergunta se iria mudar a capital para o planalto central, como constava na Constituição de 1891. Juscelino promete não apenas iniciar a mudança como inaugurar a capital. Movimento que ficou conhecido como 50 anos em 5. Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, mas essa é outra história, que a maioria já conhece.

 

Em setembro deste ano comemoraremos 200 anos de independência do Brasil, um movimento importante para nosso país, com papel fundamental de um santista, que da origem também à nova capital, um exemplo de urbanismo, arquitetura e design moderno brasileiro para o mundo.




Artigo publicado na Revista MixDesign ago/set 2022

domingo, 20 de fevereiro de 2022

100 anos da semana moderna de 22. E o impacto na arquitetura e interiores.

 De 11 a 18 de fevereiro de 1922, ocorreu, na cidade de São Paulo, o que foi nomeado como a Semana de Arte Moderna – a manifestação de diversos intelectuais paulistas e cariocas sobre aquilo que “havia de mais rigorosamente intelectual no mundo das artes”1, da escultura, pintura, literatura, música e arquitetura.  ( Apesar de ter tido apenas 3 dias de espetáculos ficou conhecida como a Semana moderna).


 

Nesse grupo de intelectuais, destacavam-se grandes nomes, como a pintora Anita Malfatti, os escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia, o escultor Victor Brecheret, o arquiteto espanhol Antonio Garcia Moya e o suíço John Graz, apresentado na Semana como pintor, mas que também atuaria bastante com o design da forma mais completa que conhecemos, desenhando desde maçanetas, mobiliário e luminárias a interiores, assim ele foi o representante de nosso segmento.

Logicamente que a turbulência estética mundial – principalmente a europeia, ao abandonar a linguagem que vigorava no século XIX – e os movimentos de vanguarda, como o cubismo, o expressionismo e o futurismo, influenciaram esses intelectuais, já que a maioria tinha educação europeia e era recém-chegada de lá. Havia um grande interesse na liberdade de criar e na experimentação, em romper com o que representava o passado. Isso passou a ser esse criativo moderno.

O que nos motiva neste artigo está, porém, além disso. Trata-se da busca por uma linguagem brasileira, apresentada claramente no Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, que pregou a “digestão” dos valores importados e a criação de uma identidade brasileira, uma brasilidade marcada pelo senso de humor e ironia, e declarou “TUPI OR NOT TUPI”.

O Brasil daquele início de século XX começa a apresentar potencialidades para o desenvolvimento de algo realmente novo, criativo e com uma nova linguagem brasileira. Algo que poderemos chamar de brasilidade, afinal. Nessa ideia, ainda se entende um rompimento com os valores estéticos predominantes, importados principalmente da Europa: semente necessária para o entendimento dos próximos passos que iremos abordar – que, se fosse focado nas artes, seria um longo artigo, mas o foco aqui é Arquitetura e Design.

Logo na sequência, chega ao Brasil o arquiteto russo Gregori Warchavchik – natural de Odessa, na época parte da Rússia e hoje Ucrânia –, que trazia consigo as ideias de Walter GropiusMies van der Rohe e Le Corbusier. Apesar de o nosso País não ter, então, conhecimentos claros sobre os papéis do arquiteto e do engenheiro como já existiam em outros países, foi esse clima de modernismo que motivou Warchavchik a aplicar esses conceitos.

Dois anos depois de sua chegada, Warchavchik escreve um artigo intitulado “Futurismo? Acerca da Arquitetura Moderna”, considerado o manifesto da arquitetura modernista no Brasil. O artigo expõe algumas ideias do arquiteto sobre o novo padrão de estética arquitetônica que estava florescendo, demonstrando a necessidade de as edificações acompanharem a evolução tecnológica, modernizando-se: não apenas com a utilização de técnicas construtivas, mas principalmente em relação à estética da construção, estética esta entendida de forma mais “limpa”, desprovida de ornamentos inúteis que não eram coerentes com o novo estilo de vida moderno brasileiro. Dessa forma, assim como os modernistas de 22, Warchavchik defendeu a arquitetura livre de valores do passado, mas atada aos valores novos da modernidade.



Assim, no seu primeiro exercício, constrói sua casa em 1927, na Rua Santa Cruz, no bairro de Vila Mariana, em São Paulo. A obra foi concluída em 1928 e é considerada a primeira casa modernista2 do País, ( e hoje segundo Framptom a primeira do mundo), conseguindo refletir essa que seria a “essência” nacional. Logicamente que a conclusão da obra foi um choque para a sociedade, acostumada com palacetes estilo francês. 

No seu exterior, a casa contava com um projeto paisagístico moderno de autoria de sua esposa, Mina Klabin Warchavchik. Como era de se esperar, o casal levou o conceito de modernidade aos mínimos detalhes da habitação, e, dessa forma, foi necessário desenhar todo o interior da casa, os móveis, a iluminação. A decoração precisou ser toda desenhada pelo arquiteto, dando início aqui ao entendimento de um Design brasileiro, feito no Brasil com inovação e apoiado num discurso claro (apresentado por meio de um manifesto – coisa comum à época), de acompanhar a evolução tecnológica.

 

1.     Gonçalves, Marcos Augusto. 1922, a Semana que Não Terminou. São Paulo, Companhia das Letras, 2012.

2.     A casa, hoje pertencente ao Estado de São Paulo, foi tombada em 1980 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado e reconhecida como Patrimônio Histórico pelo IPHAN, tornando-se um parque.


artigo originalmente publicado na MixDesign fev22




segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

NATAL POR TRÁS DOS VIDROS

 NATAL POR TRÁS DOS VIDROS

Especialista em design e arquitetura, Alvaro Guillermo dá dicas de como desenvolver uma vitrine criativa para o final de ano sem gastar muito.

por Bianca Bellucci




No destaque, foto de vitrine foi realizada pelo Alvaro para uma loja de móveis. Ele aproveitou que o logo da marca era dourado para misturar com o branco (cores mais usadas no fim de ano). A poltrona faz uma analogia à poltrona que o papai-noel senta para distribuir presentes.



"criar vitrines comemorativas que não se identifiquem com a marca é um erro comum."Alvaro guillermo

Há 33 anos no mercado de design e arquitetura, Alvaro Guillermo é fundador da Mais Grupo (agência que desenvolve estratégias criativas paramarcas) e professor de MBA do curso de Ciências do Consumo na ESPM. Especialista em design estratégico, branding e consumo, ele deixou sua rotina de lado para conversar com a Christmas News sobre o visual que as vitrines devem ter no Natal.


Acompanhe as dicas de Guillermo para chamar a atenção dos clientes sem gastar muito e ter sucesso na época mais especial do ano.


Christmas News: Como se deu a evolução das vitrines até os dias de hoje?


Alvaro Guillermo: O conceito de vitrines que conhecemos hoje surgiu em Paris, na França, junto às máquinas fotográficas. Na época, as pessoas andavam pelas ruas, achavam uma fachada interessante, fotografavam e essa imagem acabava correndo o mundo. Em determinado momento, alguém percebeu que se colocasse seu logo naquela composição, sua marca poderia ser conhecida em diferentes locais do planeta. Sobre sua função, é simples: ativar a memória das pessoas. Atualmente, com a era dos smartphones, todo mundo consegue fazer uma foto. Porém, criar uma vitrine a ponto de chamar a atenção de alguém e conseguir ser lembrado por ela, está bem mais complicado.


CN No Natal, com tantas vitrines decoradas e similares, fica ainda mais difícil lembrar em

que loja uma pessoa viu determinado produto. Como é possível se destacar?


AG A grande falha - e que ocorre em qualquer data comemorativa, não apenas no Natal - é criar vitrines que lembram a festividade, mas não trazem a identidade da marca. No momento de montar sua vitrine, você deve pensar o que o tema tem a ver com sua empresa, como você vê o Natal e de que forma pode retratá-lo. Tenha sempre como exemplo a Coca-Cola. A empresa criou uma campanha de marketing tão forte que hoje não conseguimos pensar em um Papai Noel que não vista uma roupa vermelha e tenha aquela cara de bonzinho.


CN Como usar técnicas de visual merchandising para impactar ainda mais uma vitrine

nesta época do ano?


AG Para começar você deve ter um planejamento antes de montar sua fachada. É preciso pensar que terá uma vitrine exposta durante dois ou três meses. Então, não dá para oferecer algo cansativo. Ao mesmo tempo, não pode mudar muito nesse período, pois no Natal as pessoas vão em novembro para ver as ofertas e voltam apenas em dezembro para comprar. Se você modificar completamente a fachada, o cliente não lembrará mais que viu o produto em sua loja. Para ter sucesso, amplie, componha e misture os elementos que estão em sua vitrine, mas sem fugir do conceito inicial. Também não é necessário gastar muito. Use a criatividade. Hoje, estamos vivendo a fase da economia criativa, nos importamos mais com a forma e como a peça é exposta do que quanto ela custou. Às vezes, a simples mudança de iluminação pode interferir e modificar um ambiente.


CN Nichos diferentes devem adotar estratégias diferentes para montar sua vitrine ou todos podem seguir a mesma tendência?


AG As vitrines precisam ser diferentes. Por exemplo, no Natal, uma marca de utensílios para cozinha deve seguir uma linha relacionada à família e gastronomia. Já o setor de moda pode explorar o lado de viagens, mar e praia. É importante vender o produto e o conceito sazonal de acordo com a linha que sua empresa segue e não o inverso.


CN Quais outras dicas para vender mais explorando o poder das vitrines natalinas?


AG Sempre imagine a vitrine como uma forma de vender seu conceito e sua marca. Saiba que você tem entre sete e oito segundos para chamar a atenção do cliente, fazer com que ele se identifique, entenda a proposta da fachada e saiba de quem é aquela composição. Se a vitrine não estiver bem posicionada, o cliente pode ir embora ou esquecer sua loja depois de uma hora. Outra dica é saber vender seu produto. Por exemplo, se você colocar sua echarpe em um manequim sentado em uma cadeira luxuosa, pode ser que entre alguém pedindo para comprar o móvel e não o acessório. O segredo está em valorizar suas mercadorias e compor uma vitrine que ative a memória dos clientes e faça com que eles não esqueçam a sua marca.



publicado originalmente na Revista HG Casa Cristmass News Julho 2015






domingo, 13 de dezembro de 2020

Brasilidades Santos

 


Muito feliz de fazer parte desta campanha que valoriza o objeto brasileiro feito à mão, da loja Brasilidades santos que preserva a diversidade da cultura brasileira, do nome às paredes de taipa. É uma visita obrigatória de quem está ou vai a Santos, a loja tem projeto da Carla Felippi que propõe um percurso de conhecimento das mais diversas técnicas de várias regiões do país, começando pelo cobogó da fachada, acompanhado de aromas, cerâmicas, plumas, tramas, madeiras até sabores num jardim bem brasileiro com cozinha e gastronomia.


Na juventude fui estimulado a viajar pelo Brasil, principalmente por minha família, por duas mulheres arquitetas Lina Bo Bardi e Janete Costa, e por meu professor e amigo Eduardo Kneese de Mello. Estes arquitetos sempre reforçavam a importância de viajar e conhecer a diversidade de conhecimentos do país.


Escolhi este banco por ser de Alagoas, que visito desde a década de oitenta, caminhando pelas mais diversas cidades próximas ao mar multicolorido, do sertão e da exuberância do São Francisco. Mas, comecei a me envolver mais com a região na década de 90 quando fui lecionar em Maceió e tive a grata surpresa de ter mais de 20 alunos que se tornaram meus professores e amigos, com eles aprendi muito sobre a cultura local, destaco apenas alguns poucos como a dupla Ana Maia e Rosa Piatti que tem em sua arte e design reconhecimento mundial e fazem de fato algo singular diferente com a sofisticação do das fine arts e o resgate de materiais simples do nosso redor. Também tive a oportunidade de conhecer várias comunidades de artesãs com Mirna Porto Maia, reaprender sobre o Zumbi e os Palmares, das Velas artes e das coloridas palhas. Mas, foi Maria Amélia e Dalton da galeria Karrandash que me ensinaram sobre a Ilha do Ferro, lá no São Francisco. E fiquei encantado com a minha primeira visita, é um local mágico, por sorte ainda preservado. Este banco é de lá do mestre Boró, levou quase 30 anos para que alguns brasileiros vissem estes objetos, hoje inseridos na decoração, estão presentes em mostras e revistas.

Nós podemos sentar em qualquer lugar: no chão, numa almofada, ou num pedaço de madeira. Quem já andou por este Brasil sabe como é bom sentar num tronco desses, num galho de árvore e deixar o pé na água sentindo a brisa no rosto. Ter o contato direto com a madeira é uma oportunidade rara, por isso de valor especial. Não deve se comparar o preço com produtos industrializados, devemos pensar em nossos filhos e nossas raízes, afinal Brasil vem de uma árvore.

Não posso deixar de citar a primeira dama @renata Calheiros que tem feito um trabalho maravilhoso para promover o Alagoas feito a mão, e os encontros entre designers e artesãos.

Muitos amigos antes de viajar me perguntam sobre dicas de diversas cidades, então aqui vai uma quando for a Santos não deixe de visitar a loja.

E você arquiteto e designer de interiores, que peça vai escolher para apresentar na campanha?




domingo, 5 de julho de 2020

Ordos Art & City Museum / MAD Architects



No meio do deserto e no alto de uma praça urbana em forma de duna, surge o Museu da Cidade e Artes de Ordos na Mongolia Interior na China. 




Projeto dos incrível escritório Mad Architects. O mais interessante é que este projeto fantástico está coerente com o entorno e o discurso que esta cidade propôs para futuro a não ser pelo fato de se tratar de uma cidade “Fantasma”. Sim isso mesmo, Ordes foi Construída para receber mais de um milhão de habitantes, a cidade de Ordos tem 20.000 habitantes com apenas 2% dos seus edifícios foram ocupados. Região do Império Mongol onde nasceu Gengis Khan hoje uma província da China com alto PIB.




O projeto foi desenvolvido atento à paisagem urbana e ao conflito entre as tradições milenares e seus sonhos de futuro. “A MAD imaginou uma forma abstrata misteriosa capaz de promover um desenvolvimento alternativo e atemporal da tradição e do futuro chines. Embora a superfície dessa forma funcione como um recipiente de metal para proteger o interior dos invernos rigorosos e das frequentes tempestades de areia da região, metaforicamente essa camada externa opera como um escudo que protege a preciosa cultura e história da cidade do crescimento desconhecido da própria cidade”afirmam os arquitetos em seu memorial. Parece que previam esta possibilidade de a cidade ficar abandonada e ter que proteger a cultura para um futuro.




Fundada pelo arquiteto chinês Ma Yansong em 2004, a MAD Architects é uma empresa de arquitetura global comprometida com o desenvolvimento de projetos futuristas, orgânicos e tecnologicamente avançados que incorporam uma interpretação contemporânea da afinidade oriental pela natureza. Com sua filosofia de design principal da cidade de Shanshui - uma visão para a cidade do futuro baseada nas necessidades espirituais e emocionais dos moradores - a MAD se esforça para criar um equilíbrio entre a humanidade, a cidade e o meio ambiente.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Millennium Bridge uma ponte simbólica.



No dia 30 de dezembro de 1940 nazistas atacam novamente Londres, tudo em volta da Catedral St. Paul está destruído menos a catedral, que surge da nuvem de cinzas, como um símbolo forte de resistência e esperança de vitória, tão importante para uma cidade altamente castigada. 




Para ter uma ideia do tamanho do bombardeio chamado de Blitz pelos londrinos acompanhem este mapa interativo que mostram os locais que as bombas caíram.



A catedral sobreviveu graças às ordens do primeiro ministro Winston Churchill que ordenou a um grupo valente de bombeiros que tentassem apagar o fogo assim que começasse.

500 aviões alemães, 600 toneladas de explosivos, 1500 incêndios, 800 pessoas mortas e mais de 2000 feridos, e a catedral sobreviveu e junto o espirito de uma Inglaterra unida contra os nazistas, tudo descrito no livro Memórias da Segunda Guerra Mundial de Winston Churchill. Isto aumentou o significado simbólico da Catedral St. Paul para a cidade de Londres.



Por tudo isto a Millennium Bridge traz um projeto de Norman Foster (que tem muita coisa boa na cidade), igualmente simbólico para a cidade do futuro mostrando como Londres deveria crescer. É fantástico seu desenho, sempre que a visito com grupos alguém se emociona a ponto de chorar.




É uma travessa que se inicia na catedral em direção ao rio Thames, a pé, é uma passarela de pedestres, olhando para a frente, para o novo milênio e deixando a catedral nas costas, porém ao chegar do outro lado, uma referência ao atravessar o milênio, para ingressar devemos tornar a caminhada e olhar de novo para a catedral, para o  passado, a qual está perfeitamente enquadrada, e o descer remete a ir às bases daquilo que permitiu a cidade sobreviver e ingressar nos novos tempos, significa: resistir e ter esperança de manter-se unidos. (percebam na foto o pilar da ponte coincide com o sustento da catedral).



A ponte liga os dois lados da cidade. Agora do outro lado o Novo a Tate Modern ( antiga central elétrica de Bankside), tem um jardim que olha para o passado, e a cidade cresce no novo milênio com arte, design, arquitetura e criatividade. Uma aula obrigatória para entender que passarelas, pontes são muito mais que construção civil, com arquitetura podem ser construção da memória.


segunda-feira, 29 de junho de 2020

Praça do Campidoglio, Roma, Itália.


Por que é importante?


O projeto foi encomendado pelo papa Paulo III como parte de seu projeto maior de reurbanização do Capitólio.




Esta ficava virada para o Fórum Romano, da lateral e da parte posterior é possível ter a vista panorâmica dos fóruns imperiais e do Coliseu. Voltei a revisitar em 2010. 



A Cordonata ( rampa com degraus) ficou famosa, enquadra perfeitamente o edifício, e dá acesso à praça.


Para mim o mais interessante está no desenho do piso, elíptico com referências ao cálculo áureo, gera uma nova perspectiva, na qual o espaço entre os edifícios parece maior. 



E torna a vista para a Catedral de São Pedro no Vaticano.





Michelangelo morreu antes que a praça fosse concluída. 



Viu a Cordonata pronta e definiu o posicionamento da estátua de Marco Aurélio, que aponta para o Vaticano. 



Michelangelo influenciou Gianfrancesco Bernini que projetou muito depois (Ano: 1656/1657) a Praça São Pedro na frente da Basílica. Que utilizou da elipse como forma de criar esta perspectiva, que neste caso está potencializada pelas colunatas que seguem a curva. Uma visita que vale a pena fazer na sequência.



Historicamente do outro lado oposto temos outra elipse famosa e importante para Roma: o Coliseu.


quinta-feira, 18 de abril de 2019

Brasilidade: O novo que surge de encontros.



Temos ouvido falar mais sobre brasilidade, um tema que tenho tratado bastante, há quase trinta anos.

Logo após a queda do muro de Berlim, e na consequente formação da Comunidade Europeia, foram inúmeros debates em encontros internacionais dos quais participei, onde a discussão principal era a globalização versus o regional. Em todos seus aspectos, políticos, econômicos, sociais e culturais.

E de fato rapidamente sentimos a massificação de produtos e serviços, usos e costumes se unificando no nosso “globo terrestre”. E, na mesma velocidade, isso ficou chato. Da mesma forma que era chato ir para a Espanha e voltar sempre com o mesmo touro como souvenir, ou ir ao México e voltar sempre com um sombrero, ficou chato ir para qualquer lugar do mundo e encontrar o mesmo fast-food americano e todas as pessoas vestidas iguais.

Então nesses trinta anos apreendemos que havia algo nas culturas locais que era necessário preservar. Conservar é quando mantemos algo do jeito que está após a manipulação (como alimentos em um vidro de conserva). Já, a palavra preservar é utilizada no sentido de proteger e guardar.

Assim rapidamente começamos a nos questionar o que deveria ser preservado da nossa cultura, aquilo que nos é valioso e tem a ver com nossas identidades, e consequentemente começamos a questionar: o que é brasilidade? Apesar do termo remeter ao Brasil, e assim parecer que se trata daquilo que surge após 1822, a brasilidade tem mais a ver com a origem do próprio termo brasil, que vem de brasa, madeira em brasa, que dá origem ao nome pau brasil, já que em Tupi era Ibirapitanga: árvore vermelha. Ou seja, é a interpretação do europeu que chega aqui e se encanta com algo que já existia e dá um novo nome.

Umas das formas de entender a brasilidade vem desses encontros que formaram nossa sociedade. É comum ouvir e aceitar que somos uma sociedade formada pela intensa miscigenação, essa diversidade de encontros foi formando algo novo, e esses novos modificaram  o existente mas preservaram características anteriores e demos novos nomes: o Caboclo do encontro do branco e índio, o  Mulato do encontro do branco e negro, o Cafuzo do encontro do índio e negro, e os Nikkeis que com outros se encontraram, e assim por diante temos tantos outros exemplos.

Sincretismo cultural vem moldando a brasilidade. A palavra "sincretismo" se originou a partir do grego sygkretismós, que significa "reunião das ilhas de Creta contra um adversário em comum”, a ideia de se juntar para proteger.

O modernismo, que buscava o novo, no Brasil também se caracteriza por encontros, de jovens na semana de 22 (que em breve comemorará 100 anos), dos estrangeiros que aqui encontraram solo fértil para suas criações fazendo algo diferente do que faziam em seus países de origem. Como Gregori Warchavchik e a primeira casa modernista, Pietro M. Bardi e o Museu de Arte de São Paulo, Lina Bo Bardi e todas suas obras espalhadas pelo pais, Karl Heinz Bergmiller e o design industrial, Salszupin e o mobiliário, e tantos outros. Esteve também no cinema novo de Glauber Rocha que traz o sertão para a cidade, na Bossa Nova de Tom que leva a natureza para a música, no teatro inovador da Oficina de Zé Celso C. Martinez que descontrói a plateia.

Mais recentemente temos os encontros de designers com artesãos gerando novos produtos e objetos a partir da preservação de saberes e principalmente do fazer à mão. A nossa cultura tem como resultado estético a ação do homem, e principalmente da mão. Brasilidade carrega a marca do feito à mão também, e à várias mãos, onde a interferência de cada uma cria o novo, inusitado, o inesperado. Isso estava na intenção, por exemplo, dos murais de Athos Bulcão onde o assentador de azulejos ditava o ritmo e a ordem e o desenho da peça foi desenvolvida para este fim.

No design de interiores hoje encontramos a brasilidade de várias maneiras, por exemplo nos usos que damos aos ambientes. Mas gostaria de destacar a crescente valorização dos objetos brasileiros na decoração. Objetos da cultura popular até pouco tempo desvalorizados, e muitas vezes guardados, começam a ter destaque nos ambientes, acompanhando peças de arte ou mobiliário importado. O que é muito bom. Desta vez o objeto brasileiro de encontro com o importado. Este encontro do antigo e do novo, do artesanal com o industrial e o objeto da cultura popular e regional junto ao global e importado vem caracterizando o design de interiores no Brasil, e assim ajudando a formar o conceito de brasilidade.



No entanto é bom lembrar que original significa que conhecer a origem. Então muito cuidado na hora de escolher e comprar esses objetos, consulte a origem, conheça de onde vem, como foi feito, como é a comunidade que trabalha com essa técnica, por que utiliza determinada técnica. E conheça o significado dos símbolos utilizados, a diversidades de culturas existentes em nosso país desenvolveu inúmeras iconografias que por muitas vezes é desconhecida, mas é importante que o especificador, seja o profissional de design de interiores ou o vendedor saiba lhe orientar. Perceba como facilmente você identifica a diferença entre um ideograma chinês de um hieróglifo egípcio, mas desconhece a diferença entre um desenho Marajoara ou do Xingú. Ou, como rapidamente percebe a diferença entre um vidro de Murano de um cristal Tcheco, mas não consegue distinguir uma cerâmica de Cascavel no Ceará de uma de Santa Catarina, ou do bordado Filé de Alagoas do labirinto do Ceará.

Nesse momento que temos mais oportunidade de encontrar esses objetos, aproveite para visitar lojas e conhecer um pouco mais da nossa cultura. Não duvido que ficará admirado com a riqueza que tem para oferecer.


Publicado na Revista Mix Decor 04/19

 

sábado, 5 de janeiro de 2019

Leo usava rosa. A introdução do rosa no vestuário por Leonardo Da Vinci.

Leo usava rosa.


Como é bom ter bons alunos!
Com a "deixa” do Rosa e Azul, Thalita Jimenez me lembrou de uma aula que dava na década de 90, muito antes de Dan Brown acabar com minha brincadeira, : ). Vou traduzir 2h/aula para as redes sociais.
O incrível Leonardo Da Vinci, usava Rosa.
Ele chegou nesse tom a partir do aproveitamento do vermelho (verme) carmim muito usado para tingir roupas em 1500, até que no século XVII, o rei francês Luís XIV instituiu o vermelho como a cor da nobreza. Outra curiosidade o Pau-Brasil (madeira em brasa) era usado como corante. 
Aproveitando ao máximo as propriedades do corante Leonardo chegou num tom de Rosa para ele adequado ao uso nas roupas, pois destaca a pele humana.
Por isso ele usava sempre uma túnica Rosa, que se tornou sua identidade. 
Assim foi retratado como Platão na belíssima obra de Raffaello Sanzio (Rafael), “Escola de Atenas”. Com o dedo apontando para cima, também característico dele.


Leonardo era gay, e andava publicamente com outros homens, o que passou a associar a cor Rosa ao grupo gay da época. Que com tamanha ignorância muitos associam ainda hoje.

Para encerrar, no belíssimo mural L'Ultima Cena ou também Il Cenacolo, que está lá em Milão, com uma perspectiva extremamente conceitual, Leonardo decidiu retratar Jesus no triangulo central com as cores Azul e vermelho, e a seu lado direito, esquerdo de quem olha, dentro de outro triangulo - espelhado em relação a Jesus, está João Evangelista, o mais jovem, que seria o discípulo que Jesus amava e que estava sempre ao seu lado. Outros acreditam ser Maria Madalena. 

O que se percebe nesta figura que a cor escolhida foi o Rosa, com o azul. Invertido em relação a Jesus. Acredito que Leonardo tenta assim introduzir sua identidade. Não importa nesta discussão se era João ou Maria. 
Leo usava rosa.



sexta-feira, 11 de maio de 2018

ESTÁ NO MEU DNA: COMECE A MEDITAR SOBRE AS TENDÊNCIAS Especialistas brasileiros avaliam novos comportamentos de consumo

#4 ESTÁ NO MEU DNA: A crescente curiosidade das pessoas sobre sua composição genética – que os torna tão especiais – e a busca por personalização dos produtos/serviços de saúde e beleza estão alimentando a demanda por kits domésticos. Os consumidores-alvo vão desde os que se preocupam com seu bem-estar até aqueles que buscam entender suas origens e os fanáticos por nutrição e vida fitness.


Quando tratamos de tendências é importante associar várias destas para se ter um panorama melhor de que estamos tratando. Principalmente porque são assuntos novos com os quais não estamos acostumados.
Esta tendência está no meu DNA trata exatamente de um público que está cada vez mais consciente da importância da sua identidade. Até pouco tempo atrás entendíamos mais as identidades por grupos, e as relações sociais dos indivíduos. Agora em consequência da ciência e da tecnologia podemos perceber o valor do indivíduo isoladamente, e este também já percebeu isto.
Vamos a alguns exemplos: O que nos torna este ser único (Persona) é um pequeno percentual, que está cientificamente comprovado, do nosso DNA. Somos todos diferentes, singulares, mas ao mesmo tempo temos muito em comum com os outros. (nossos ascendentes, os humanos, seres vivos etc.)
Por isso o crescente interesse de saber quem de fato somos realizando testes de DNA em casa. E é muito interessante pois muitos também estão descobrindo que têm origens raciais que não imaginavam pelos relatos familiares.
Se sou tão singular quero saber quem de fato eu sou.
Por isso também os livros Sapiens - Uma Breve História da Humanidade e Homo Deus de Yuval Noah Harari estão entre os mais vendidos do Brasil e do mundo, é um fenômeno.
Saber quem somos, qual é minha identidade e personalidade também gera outros impactos no mundo como por exemplo a necessidade de personalização de produtos (customizar) que já faz tempo que vem ocorrendo, e outra mais recente que é a necessidade de uma grande variedade de produtos e serviços para que atenda a esta quantidade de Diversidade, descrito por Chris Anderson como A Cauda Longa, e marcas como Itunes, Amazon etc sabem trabalhar.
Que também está ligado com esta outra tendência que é a Diversidade, se somos diferentes e únicos nosso vizinho é diferente, portanto terei que conviver com as diferenças, daí o interesse em Coexistir e Coabitar.
Por último é bom ressaltar que estas investigações são muito simples de realizar graças à internet e smart mobiles (celulares, relógios, tablets..) essa curiosidade pode ser desenvolvida rapidamente na internet o que gera um novo público consumidor que é o detetive, aquele que vai atrás da informação, mesmo que não seja científica.
Num mundo que fico pensando muito em mim, quem eu sou, qual minha identidade, com quem me identifico, é o mundo do Self, pessoas que pensam muito em si e se mostram muito (selfies) as câmeras de celulares tiveram que inserir uma interface que permitisse “virar a tela” para fazer o autorretrato.
Marcas, lojas, empresas devem entender que as tendências demonstram o que já sabemos, o mundo é Hiper-complexo, o que serve para um não serve para todos. Assim devemos entender que o que serve para pessoas serve para empresas: a busca pela identidade saber de seu DNA. Por isso devem ter seus valores muito claros, expor e comunicar de forma clara, mostrar uma visão de futuro coerente com os valores, e que é diferente para que o consumidor perceba que se identifica com a marca, produto, serviço ou ambiente. Só assim ele iniciará o contato.

artigo publicado na Revista Licensing Brasil #59  - COMECE A MEDITAR SOBRE AS TENDÊNCIAS Especialistas brasileiros avaliam novos comportamentos de consumo.
meu texto sobre Está no meu DNA