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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Slow Design: Habitar o tempo

 Slow Design: Habitar o tempo

Alvaro Guillermo

O slow design é a arte de recuperar o prazer de estar no mundo. Não é nostalgia: é consciência. É reaprender o valor do tempo — esse bem invisível que molda o modo como vivemos, trabalhamos e sonhamos. Em uma cultura que acelera tudo, o verdadeiro luxo é desacelerar. Porque, no fim das contas, o tempo também precisa de casa.

Fui o primeiro no Brasil a tratar do slow design não como estilo, mas como visão de mundo. Sempre acreditei que design é estratégia: signos produzem significados — e significados movem pessoas, marcas e comportamentos.
Quando escolhemos materiais e produtos que carregam sinais do tempo, que revelam a passagem humana e não apenas o brilho industrial, algo muda. As pessoas se demoram. Tocam. Sentem o objeto com o corpo inteiro. O slow design entra em cena nesse instante — quando o tempo deixa de ser inimigo e volta a ser matéria.

Há três décadas, enquanto máquinas prometiam perfeição instantânea e fábricas apostavam em produzir mais, mais rápido e “melhor”, o feito à mão era visto como imperfeito. Uma suposta falha estética que o mercado queria esconder. 

Mas o tempo mostrou outra verdade: o artesanal, quando bem feito, carrega densidade, presença, humanidade. São marcas que não se compram em prateleiras — e fazem bem ao nosso bem-estar.

Hoje, depois de anos de telas luminosas, urgências infindáveis e ritmos que tentam rivalizar com algoritmos, o cansaço coletivo nos devolveu uma sensibilidade essencial. Voltamos a olhar nossos espaços com mais cuidado. Buscamos ambientes que acolham, que respirem, que não nos peçam desempenho, mas presença.
Aqueles conceitos de 30 anos atrás não ficaram velhos — ficaram atuais. Eram uma tendência antecipada; hoje são uma necessidade.

Slow não é ser lento. É agir com consciência do tempo que temos — e do tempo que queremos viver.
Arquitetura e interiores precisam considerar esse tempo: o da convivência, do descanso, do estudo, do cozinhar, do festejar… Antes de especificar objetos, é preciso compreender o ritmo real das pessoas que habitarão esses espaços.

Profissionais da área deveriam falar menos de tecnologia e mais de filosofia. Menos de produtos e mais de propósito. Porque projetar, afinal, é oferecer uma experiência de permanência. E a permanência — essa sim — é o tempo do luxo definitivo.

texto originalmente publicado na Revista MixDesign 86





quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Arquitetura Discreta, Luxo Absoluto. Quando o traço se torna desejo e o espaço, identidade. por: Alvaro Guillermo

 Arquitetura Discreta, Luxo Absoluto.

Quando o traço se torna desejo e o espaço, identidade.

Alvaro Guillermo

O mercado de luxo deixou de vender apenas produtos há muito tempo. Hoje, ele entrega experiências, narrativas e atmosferas. Nesse cenário, a arquitetura se revela como um dos ativos mais estratégicos e simbólicos. Em um mundo saturado por imagens e repetições, o espaço construído ainda tem o poder de ser único, memorável e, acima de tudo, desejável.

No luxo, a arquitetura é branding, porque reforça a identidade e apresenta a marca de forma rápida e eficaz:

  • arquitetura comunica valor simbólico: tempo, cultura, autoria.
  • cria cenários de exclusividade: irrepetíveis, singulares.
  • transforma marcas em experiências sensoriais, emocionais e imersivas.

A arquitetura também revela os desejos e os modos de vida das pessoas — seus anseios concretizados em três dimensões. Por isso, observamos uma mudança significativa nas escolhas para os ambientes: uma preferência crescente por propostas mais clean”, essenciais e autênticas.

O luxo silencioso: quando menos é muito mais.

A arquitetura pode ser a própria definição de luxo — sem ostentação, mas com sofisticação visceral.

Aman Tokyo (Japão) interiores da empresa Kerry Hill Architects, com Luxo minimalista inspirado nos templos japoneses é um grande exemplo. A luz, os materiais naturais e o silêncio criam uma experiência quase espiritual.





Villa Vals (Suíça) da SeARCH & CMA Architects é uma casa escondida na montanha, quase invisível na paisagem, mas deslumbrante por dentro. Um exemplo de luxo integrado à natureza.




Andronis Suites (Grécia) da kapsimalis architects Suítes cavadas nas falésias de Santorini, reinterpretando a arquitetura vernacular com sofisticação. O luxo está na vista e na paz.




Casa das Canoas (Brasil) de Oscar Niemeyer, ícone da brasilidade modernista. Ainda subexplorada como ativo de luxo nacional.



Uma oportunidade para o Brasil. Com uma tradição arquitetônica ímpar — do modernismo  e brutalismo às expressões vernaculares — o Brasil possui um capital simbólico extraordinário. Falta apenas convertê-lo em estratégia de marca, produto e narrativa.

Neste sentido a Arquitetura com bons projetos gera posicionamento, que é essencial para as marcas. É hora de tratá-la como vetor de diferenciação no mercado de luxo — nacional e internacional. A linguagem dos desejos torna arquitetura como reflexo de novos modos de viver.

O verdadeiro luxo não grita — ele sussurra com elegância.

Em tempos de repetição e excesso, a arquitetura pode ser exceção. E no luxo, exceção é sinônimo de valor.








terça-feira, 5 de novembro de 2024

 ARQUITETURA DE LUXO E UM NOVO CONCEITO DE INTERIORES

POR ALVARO GUILLERMO


Como vimos nos artigos anteriores o conceito de luxo mudou, então o que caracteriza casas com arquitetura e interiores de luxo? O que agrega valor ao imóvel posicionando-o no mercado de luxo?



Obviamente o primeiro ponto, mas não o mais impor-tante, é a localização. Estar num condomínio de luxo, não necessariamente define a arquitetura de luxo, mas ajuda. Acesso ao local, segurança, áreas verdes preser-vadas e protegidas, boas dimensões dos lotes e sua posição em relação ao meio ambiente são pontos básicos.

No entanto é bom ressaltar que alguns empreendimentos de altíssimo padrão não tem acesso fácil. O Reserva Pituba em Alagoas é um condomínio que seu acesso se dá por aeroporto dentro do condomínio, chegando de jatinho e daí ao seu lote pode ir num voo curto de helicóptero ou carro. Isso permite que os moradores sejam de diversas cidades do país e exterior. O mesmo ocorre com algumas marinas e casas no litoral como Angra dos Reis onde o acesso é por iates pelo mar. Em todos estes casos o luxo está presente mais na relação com a natureza e o acesso é uma consequência.


A arquitetura de luxo valoriza o tempo do morador na sua casa, assim, a relação com o natural é prioridade, desta forma a arquitetura disponibiliza grandes áreas iluminadas, aberturas que permitem a entrada total da iluminação e ventilação natural. Por isso, estas casas tem estruturas que permitem grandes vãos livres. Muitas vezes à mostra, ou seja, o concreto aparente é um sinal que a estrutura foi pensada juntamente com a arquitetura. O mesmo ocorre com metal e madeira e em diversos ambientes.
Estes vãos livres com a abertura total das janelas permitem uma integração do interior com o exterior, e em seu uso diário as pessoas percorrem os ambientes sem perceber se estão dentro ou fora, é o que chamamos de In-out. Muitas marcas europeias de mobiliário vêm apresentando este conceito há mais de dez anos. Empresas como a Driade utilizam o mesmo mobiliário publicidades com fotos de interiores e exteriores, com chuva, neve e sol, tentando traduzir este novo conceito. A coleção de móveis
'Oh It Rains Outdoor da B8-B Itália desenhada por Philippe Starck é apresentada como uma sala de estar, só que pode ficar no exterior e na chuva.



Isto modificou totalmente o conceito de design de interiores, já que o ambiente tanto pode eventualmente estar com uso de interior como de exterior. O que também altera a escolha de materiais de acabamento e produtos como poltronas e sofás por exemplo. Seu design permite ser a extensão de uma sala de estar interna, ou ao mesmo tempo, a extensão de uma área gourmet, de piscina ou até de tudo ao mesmo tempo. Desta forma o sofá deve ser pensado para sofrer com a ação da intempérie, de pessoas sentando molhadas, ou usando roupas de festa.


No caso do Brasil este conceito parece ainda mais adequado, o clima tropical favorece a estar em casas onde não temos tanta necessidade de abrigo e sim mais de curtir a natureza, o que é um verdadeiro luxo. A Tidelli tem desenvolvido produtos desde sua origem com este conceito permitindo por exemplo refeições ao ar livre, um café da manhã com a vista para o mar, sentindo o cheiro, a brisa e o som da natureza. E a noite no mesmo ambiente um jantar ao luar. Esse é um dos conceitos que permitem valorizar o imóvel e classificar no mercado premium.

Artigo publicado originalmente na Mix design 72



quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Luxo e patrimônio. Arquitetura e design preservando a memória da cidade.



Luxo e patrimônio. 

Arquitetura e design preservando a memória da cidade.

Alvaro Guillermo

 

O Gasômetro de Londres foi muito importante para o armazenamento do gás necessário para atender a demanda da cidade que promoveu a revolução industrial. Localizado em King's Cross foi construído em 1824. A área ficou esquecida e associada à indústria, entre as linhas de trem e metrô e o rio Regente de Londres.




Os triplos tanques de gás interligados foram construídos e revisados entre 1860 e 1880 e agora, cerca de 150 anos depois, estão mais uma vez respondendo de forma inovadora ao aumento crescente da população da Capital, se tornando uma estrutura com unidades residenciais de altíssimo padrão.




O escritório de arquitetura WilkinsonEyre venceu o concurso de design com o conceito de três edifícios residenciais alojados em elegantes estruturas. O conceito apresenta três tambores de acomodação em alturas diferentes para sugerir o movimento dos gasômetros originais. Um quarto formato de tambor virtual, localizado no centro, forma um pátio aberto, com o conglomerado das estruturas de ferro fundido no ponto de intersecção.




Com a sua localização à beira do canal, os Gasholders parecem um santuário de calma no ambiente urbano, um verdadeiro oásis, mas é também o empreendimento mais bem conectado de Londres por estar situado ao lado da estação central, com transporte (metrô e ônibus) para se locomover dentro da cidade, e através do trem em todo o Reino Unido e Europa. 

Isto reforça o novo conceito de luxo, pessoas conectadas com a cidade, que buscam ter uma experiência singular, ciente que fazem parte de algo maior e que estão ajudando a construir um legado, muito maior que seu patrimônio pessoal, reforçando a identidade da cidade e da história do país.


 



Junte a isso a possibilidade de vistas panorâmicas únicas da cidade de Londres, interiores com acabamentos e design inteligente em todos os ambientes e detalhes.




Provavelmente no século passado morar no Gasômetro não seria nada agradável, hoje é um luxo.










matéria originalmente publicada na Revista MixDesign set 23


segunda-feira, 18 de julho de 2022

O Novo Luxo e as mudanças na arquitetura e no design.

 O Novo Luxo e as mudanças na arquitetura e no design.

Alvaro Guillermo

 

A ideia de luxo está associada aquilo que nos é raro e, portanto, caro – não necessariamente à riqueza material e financeira –, mas aquilo a que de fato damos valor. Lembra do uso da palavra em conversas como “meu caro amigo”?

 

Na origem a palavra luxo vem do Latim LUXUS, que significa excesso, extravagância, magnificência. Provavelmente deriva de LUCTUS, “deslocado, esticar, tensionar” (daí a palavra “luxação”) trazendo o sentido de fora de lugar. 

Luxo também tem relação com LUX do Latim, que é luz, brilho, por isso por muito tempo luxo esteve associado a tudo que brilhava em excesso. 

 

Em toda a antiguidade houve reverência ao brilho e consequentemente ao Sol, temos inúmeros exemplos em diversas culturas, tendo seu auge no período conhecido como Rococó, durante o século XVIII, e como grande referência na arquitetura e decoração o estilo Luís XV, em homenagem ao Rei Luis XV da França. 

 

Luis VX nasceu em Versailles que é um dos maiores ícones desta imagem que o luxo transmitia. Mas, também é importante lembrar aonde tudo isto levará anos mais tarde com o casamento de Luís Augusto com Maria Antonieta: a queda da Bastilha, guilhotinas e a Revolução Francesa.

 

Outra palavra que se origina de LUXUS é Luxúria que significa desregramento sexual e também associada a cobiça ou apreço por bens materiais, ou seja: excesso e algo fora de lugar.

 

Esta introdução é importante para entender o impacto que o luxo carrega na relação de extravagância representada pela arquitetura e pelos objetos da decoração com a sociedade mais favorecida, a elite econômica.

 

O mundo mudou muito e a velocidade tomou conta de tudo. Praticamente não temos tempo para fazer mais nada, estamos sempre correndo de um lado para o outro. O tempo passou a ser o item mais valioso de nossas vidas. Esta nova relação com o tempo muda radicalmente no nosso habitar e com os objetos de nosso entorno. 

 

A arquitetura residencial passa a dar mais valor ao ficar em casa, conceito potencializado pela pandemia da Covid-19. Nesse sentido é importante reforçar que esta é uma tendência que precede a pandemia, e que o isolamento forçado só aumentou a percepção da necessidade disso. Ter tempo para curtir a casa e realizar inúmeras tarefas que nos dão prazer, com qualidade, passou de um luxo desejado a algo necessário para viver bem. 

Essa tendência vem sendo reforçada pelo crescimento do movimento slow, principalmente do Slow Design que apresenta espaços, ambientes e objetos onde o tempo do ser humano está presente, por isso, a valorização do feito a mão em contrapartida do que é realizado velozmente pela máquina.

 

A casa, como construção, passa a ser pensada para o ser humano e a arquitetura vai priorizar isto, e não a riqueza dos materiais construtivos. É nela que podemos imprimir nosso conceito de vida e que conseguimos sentir a importância de viver bem, quando esse pouco tempo que temos para nós mesmos tem valor especial. A inserção de nossas identidades em nossos ambientes é importante para o reconhecimento do que somos e do que queremos ser, e não do que temos ou queremos ter, ou seja, passamos a entender o prazer de viver em ambientes com os quais nos identificamos e, quando atingimos isso, sentimos isso como luxo – devido ao valor que lhe damos.

 

O luxo contemporâneo não está focado no que temos e adquirimos, ou seja, na materialidade (muito menos que brilha e reluz) e, sim, será encontrado em tudo que nos remete a valorizar nosso tempo de vida e nossas identidades. Mais importante que ter um vaso de cristal é ter um vaso com o qual nos identificamos, porque conhecemos sua origem ou o artista que o executou. Uma casa luxuosa tem uma história para contar.

 

Um bom exemplo disto é o resultado do concurso de arquitetura de luxo PRIX VERSAILLES (da UNESCO) 2018 conquistado pelo hotel Casa Cook Kos, recém-inaugurado na Grécia, autoria de Mastrominas ARChitecture um dos escritórios mais famosos de projetos de hospitalidade de luxo, com vários prêmios internacionais por sua arquitetura inovadora e exclusiva baseada na reinterpretação da arquitetura tradicional grega, mas com um vocabulário moderno. São 100 quartos que contam com luxos pequenos e grandes, com casas cubistas de um e dois andares, agrupadas em torno de jardins e pátios. Os móveis com linhas limpas combinam-se com texturas naturais e ásperas e acessórios exóticos para criar o um verdadeiro santuário.  “Não importa qual o nível de luxo que você escolhe, o estilo discreto é fornecido com muito conforto” afirma o hotel.

 

Outro exemplo disso é o hotel Fasano Las Piedras em Punta del Este Uruguay, projeto de arquitetura de Isay Weinfeld, instalado numa paisagem dramática e deslumbrante: árida, rochosa e de vegetação esparsa e rasteira. As unidades que compõem o complexo, foram concebidas e distribuídas como módulos isolados de concreto, pousados sobre o terreno, como as próprias pedras que existiam no local, preservando as características rústicas e artesanais.

 

Se a sua vida anda muito longe de cristais, prata, ouro e veludos, mas você tem real noção do tempo de sua vida aproveitando ao máximo cada momento que o universo lhe oferece, como apreciar o pôr-do-sol ou um bom vinho com os amigos ao redor do fogo, então sua vida é um luxo.





artigo publicado originalmente na Revista TriNova Piracicaba junho 2022

https://hubtrinova.com/o-novo-luxo-e-as-mudancas-na-arquitetura-e-no-design/



domingo, 12 de julho de 2020

No passado os óculos eram acessório de saúde, hoje com design são "fashion". No futuro será a vez das máscaras.

Num passado bem recente o uso de óculos era apenas para melhorar a qualidade da visão.

Aí entrou o design e mudou a relação do objeto, deixou de atender apenas a saúde para atender aos desejos pessoais, emocionais e a moda, virou "fashion".

Num futuro não muito distante será a vez das máscaras.




Lembro de na infância, amiguinhos que não queriam usar óculos, se sentiam mal, excluídos. Eram necessários, por questões de saúde, precisavam melhorar a visão. Mas seu uso era desconfortável, não conseguiam fazer esportes, brincar com a mesma desenvoltura que os demais. Hoje vejo crianças querendo usar óculos, mesmo sem necessidade de saúde, apenas por uma questão estética, de ter um acessório personalizado, que os identifique. É enorme a oferta de óculos sem grau, com lentes transparentes ou coloridas de grandes marcas. Como a Prada que lançou um óculos para ir ao cinema.







De Sofia Loren, passando pelo Fantástico Elton John, Marília Gabriela a Harry Potter, os óculos viraram uma febre e entraram para o mundo da moda, por que? principalmente pelo design.




As máscaras hoje são um acessório obrigatório, desrespeitar seu uso é taxado por multas. Tudo isto porque falta design. Assim que bons designers desenvolverem novos produtos, empresas oferecem diversidade, as mascaras serão acessórios pessoais, e num futuro breve farão parte da moda.

Não se trata apenas desta pandemia do Covid, mas também por outros critérios de saúde como poluição do ar, purificação do ar, afastar odores, interlocutor de comunicação de idiomas diferentes, entre outros atributos. Até que  o design das máscaras comece atrair nossos desejos de usar uma mesmo sem necessidade.







Vejam este caso:  Ao-air, que além de design tem também alta tecnologia. Garantem que pode ser até 50 vezes melhor do que as máscaras principais testadas. E de 5 a 25 vezes melhor do que o N95 na proteção contra partículas. Traz um sistema proprietário D'Fend e nanofiltração ativa que foram projetados a partir do nível molecular para protegê-lo e limpar 98%. O design foi pensado para  mostrar seu rosto, permitindo que respire livremente, sem selo ao redor da boca e do nariz. Esse sistema permite que o ar fresco e limpo escape confortavelmente da máscara ao redor do rosto, criando uma saída contínua e unidirecional que mantém o ar externo fora.


O que acham deste futuro?


Um pouco de história.



A palavra óculos surgiu na antiguidade clássica e vem do termo ocularium, que designava os orifícios feitos na parte superior das armaduras dos soldados para permitir que eles enxergassem.


O grande orador romano Cícero (106-43 dC) precisava de escravos para ler textos em voz alta.


O imperador Nero (37-68 dC) criou um instrumento visual especial para assistir as lutas entre gladiadores, usava uma pedra verde transparente, com isto a luz da pedra era mais refrescante aos olhos. Essa crença durou até o século 19 e até hoje esse tom de verde é definido para lentes solares.

O astrônomo árabe Ibn al-Heitam (c. 965-1040 DC) foi o primeiro a sugerir que lentes polidas poderiam ajudar pessoas com deficiência visual.


No século 13, monges italianos criam uma lente semi-esférica de cristal de rocha e quartzo que, ao ser colocada sobre um texto o ampliava. Nesse mesmo século as oficinas de vidro de Murano desenvolvem um vidro bem transparente para a época, os cristalleri, que sua produção foi um segredo bem guardado. Estes ganharam o termo “vidro para os olhos” e Leonardo da Vinci mais tarde os chamou de “janela da alma”, fazendo uma relação entre os Vidros e as janelas e os olhos e a visão das coisas imateriais, daí a alma.



Em 1270, na Alemanha, aconteceu outra grande mudança: foi criado o primeiro par de óculos unido por rebites e feito com aros de ferro. Ele ainda não possuía hastes e mais parecia um compasso.


Os "óculos de hastes" se disseminaram a partir de 1850, e o design se manteve inalterado no fim do século 19 e ao longo do século 20.