quinta-feira, 5 de abril de 2018

Coabitar – um novo conceito de morar


Coabitar – um novo conceito de morar
Por Alvaro Guillermo


Se você mora ou morou em um edifício pode ter passado pela seguinte situação: encontrar um desconhecido no elevador, o qual muitas vezes nem oferece um bom dia, descerem juntos no mesmo andar e descobrir, dessa forma, que ele é seu vizinho de porta.

Este é o mundo contemporâneo do self, em que estamos tão preocupados conosco que não conseguimos sequer reparar o que ocorre na porta ao lado.

Além das consequências da vida cotidiana e das novas tecnologias, muitos culpam os arquitetos, responsáveis pelos projetos destes edifícios, pela potencialização dessa situação. Sair do carro pegar o elevador e entrar em casa é uma comodidade que não oferece a possibilidade de encontrar outros moradores do mesmo prédio.

Muitas pessoas procuram locais exatamente com essa característica, pois apesar de viverem em condomínio, eles querem mesmo a privacidade do lar, dividindo apenas os custos das áreas comuns.

Mas, exatamente por todos esses motivos, o comportamento das pessoas começa a mudar. Muitos, principalmente os mais jovens, estão apreendendo a força do CO. COlaborar: trabalhar onde outros trabalham (Co-working); COexistir: desenvolver a vida com os diferentes; COmpartilhar: fazer uso de coisas e serviços que são de todos; COabitar: morar junto a outros. Parece que é o mesmo de morar num mesmo prédio, mas de fato não é.

Essas pessoas estão procurando espaços onde possam levar uma vida individual ou familiar, mas que possam compartilhar momentos com outros, e que todos os que ali habitam possam perceber o seu redor mudando com o tempo. Este conceito está levando os arquitetos e designers de interiores a buscar novas soluções para definir o uso dos espaços.

Se moro em um prédio onde tem um belo jardim apenas para ser admirado e que as crianças não podem usufrui-lo, por exemplo, afasta dessas a possibilidade de compartilhar a vida com o jardim, o que obriga a contratação de um cuidador de jardim.

Os espaços criados para coabitar têm como princípio oferecer a possibilidade usufruir do mesmo, e assim estes passam a ser o ponto estratégico de encontro de pessoas com afinidades.  As hortas, piscinas, lavanderias, salas de ginásticas passam a receber pessoas interessadas nesses usos.

Nos anos 70 houve uma tentativa similar em Sættedammen, que foi nomeado de cohousing. Na Dinamarca uma comunidade de 35 famílias compartilhou espaços de convivência e atividades comuns como refeições e limpeza de ambientes, mantendo as moradias privadas, mas, com o objetivo de estimular o relacionamento entre vizinhos. Talvez um primeiro passo do coliving (coabitar). Estes conceitos foram se desenvolvendo bastante nesse país que hoje ocupa o primeiro lugar em felicidade.

Sættedammen Denmark

Este conceito hoje está amplamente difundido e está crescendo rapidamente em função destes jovens de 25 a 35 anos que não encontram mais sentido em uma vida isolada e desconectada do mundo ao redor. Toda a relação do que entendem por casa, comunidade, distrito e cidade muda a partir da relação que eles estabelecem com suas conexões com os outros, gerando assim a ideia de pertencimento ao lugar e da formação de suas identidades.

Para se aprofundar mais nesta ideia podem visitar o site coliving.org, em todo o mundo este conceito tem atraído profissionais criativos e empresários que buscam inovação e tentam entender estas mudanças. No seu manifesto afirmam que estão explorando novas formas de viver e criar casas. Valorizando: comunidade junto a individualidade; colaboração sobre a concorrência; consumo compartilhado; viver experiências; responsabilidade e divisão de atividades.

Pensem quantos em um edifício têm ferramentas que pouco usam, e que neste conceito poderia existir uma oficina compartilhada bem organizada.

Vale a pena conferir alguns exemplos pelo mundo e se estiver em uma dessas cidades visite pessoalmente:


The Collective Old Oak o maior projeto de coliving do mundo fica em Londres, projetado por PLP Architecture.
 

LILAC na Inglaterra (Low Impact Living Affordable Community) baseia-se no modelo dinamarquês de coabitação: misturando as necessidades individuais com instalações compartilhadas e incentivando a interação social.



Roam Co-Living em Bali do arquiteto alemão Alemão Alexis Dornier.


 E WeLive – Love your life, localizado em Nova York

Artigo originalmente publicado na Revista MIXDECOR abril 2018 edição 41 - Confira na página 74 o artigo "Coabitar - Um novo conceito de morar " - Assinado pelo arquiteto e professor Alvaro Guillermo - www.revistamixdecor.com.br


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Design para uma vida longa

Tendências e análises de consumidores são algumas das disciplinas mais estudadas atualmente.

Já faz alguns anos que vem se alertando sobre um assunto extremamente importante para todos nós, que é a possibilidade de o ser humano viver em média mais tempo, ou seja, ter uma vida mais longa. E o que é melhor, com mais qualidade e em atividade. Assim, você irá ouvir muito falar de longevidade e longeratividade que é a geração que passa a viver mais em atividade.

Outro ponto muito tratado, por esse motivo, é que o Brasil terá uma inversão na sua pirâmide social, passando a ser uma sociedade com mais pessoas acima de 50 anos do que abaixo. Não é a toa que tanto se fala em aposentadoria e previdência social, já é o quarto governo federal tratando esse assunto, os cálculos dos anos 1950 não servem mais.

Pasmem! Apesar de ser a faixa demográfica que mais cresce no mercado, é a menos tratada. Faltam produtos e serviços específicos. Principalmente porque os poucos que pensaram nisso continuam enxergando os “seniors” de 70 e 80 de hoje como aqueles senhores idosos de 50 anos dos anos 1950.

Esta geração é diferente, e acima de tudo tem poder aquisitivo e sabe muito bem o que quer. Não compra qualquer coisa à toa, sabe o valor do tempo, e não vai “gastar” esse tempo em bobagens, ele quer qualidade. Eles estão mudando os hábitos e costumes de consumo.
No Brasil hoje são 54 milhões que é comparada à população da Espanha. Sendo que metade, ou seja, 27 milhões tem renda superior à média da população brasileira. Assim sendo, por questões inerentes à idade, não pretendem guardar esse dinheiro para o futuro. Obviamente gastam muito em saúde e por isso tudo que apresenta uma vida melhor eles prestam atenção.  E o panorama para o futuro revela que continuará crescendo e que em 2050 serão 98 milhões.

E o segmento de arquitetura e design de interiores é um dos mais importantes, depois que todo mundo saiu de casa, e os netos já estão na universidade essa geração precisa um lar diferente. Reformas e mudanças são necessárias.
Como a falta de foco neste público é geral, faltam campanhas publicitárias que os estimulem a repensar os últimos anos de suas vidas. Por isso é comum encontrar profissionais comentando que fizeram uma reforma, mas o cliente não queria investir muito, pois já tinha tudo, do sofá ao quadro.  É nesse momento que o profissional deve exercer seu papel de educador, pois cabe a este também ensinar coisas ligadas ao lar e a morar bem.

Não se trata de encorajá-lo a gastar, muito pelo contrário, trata-se de explicar a importância dos ambientes onde ele passará esse momento especial de sua vida. Memórias afetivas são importantes, mas a felicidade de sentir-se bem é maior.
A casa era de uma família que agora está diferente, e algumas dessas memórias podem prejudicar sua saúde. Cabe ao profissional fazer esse diagnóstico e saber propor um novo ambiente que comporte esse novo modo de vida. Essa geração é ativa, quer receber amigos, tem histórias para contar, não precisa sair de casa para se sentir animado (não precisam de algo como a estratégia do gnomo que Amélie Poulain utilizou para tirar o pai de casa).

Como escolher produtos para esta geração? Sua loja está preparada para recebê-los e atendê-los? Você, profissional da área, já estudou sobre eles?

Isto era uma tendência nos anos 60, hoje é uma realidade. Não tem volta, ainda bem! Viveremos mais e melhor, já há possibilidade de em 2050 o ser humano viver de 100 a 120 anos bem, e até lá muita coisa nova vai aparecer, que se comentar neste artigo vai deixar muitos assustados.

Os poucos mercados que têm se focado nesse público são o turismo, lazer e gastronomia, mesmo com uma visão equivocada dessas pessoas, tem gerado ofertas, até porque está aprendendo sobre eles na medida em que a demanda é atendida.
Assim sendo, repense seu negócio e inclua esse público que será maioria, ou continue trabalhando para uma minoria. 
Alvaro Guillermo
artigo publicado originalmente na revista MixDecor edição 40 Fevereiro 2018

Nossa Casa. Nossa Identidade

Buscamos dar significado às nossas vidas.
Através dos signos encontramos as referências que formam nossa identidade.
Design é carregado de signos, assim a escolha de marcas e objetos com design nos ajuda a entender o nosso agora.
No mundo contemporâneo, onde as estruturas não são obvias e evidentes, estar rodeado de pessoas e objetos com os quais nos identificamos, colaboram para termos uma ideia de pertencimento. A vida parece começar a ter sentido quando sabemos que fazemos parte efetivamente deste mundo.

Vivemos muito atrelados às diretrizes e determinações dos outros: os horários da escola dos filhos, do nosso trabalho, dos clientes, o trânsito, feriados, férias... parece que não temos um tempo nosso.

Aí que nossa casa ganha valor, pois esta torna-se nosso refúgio e se ela tiver nossa identidade é o lugar onde conseguiremos encontrar o nosso tempo.

Por isso arquitetura, design de interiores e decoração são tão importantes, estes lidam com o espaço sagrado onde a estética, a ética e a espiritualidade se encontram para dar significado a nossa existência e termos noção de nosso tempo de vida (sagrado no sentido de considerá-los dignos de respeito e devoção espiritual, ou que nos inspiram e os adoramos).

A contratação de um bom profissional é obrigatória, eles sabem trazer essa carga simbólica aliada às normas, custos, técnicas e planejamento para que tudo ocorra dentro do seu perfil.

A casa é sua, nela você deve ter momentos de felicidade, descanso, isolamento, encontros, comemorações, em fim tudo o que sua vida fará a memória de seus filhos e a perpetuação da história. Busque ter na sua casa aquilo que o diferencia dos outros e que proponha um ritmo de vida coerente com os moradores.

Tente conhecer a história dos objetos que você adquire, mesmo indicados ou especificados por profissionais, pergunte a eles o motivo da escolha, quem foi o autor, onde foi fabricado, que materiais utiliza. Evite a cópia malfeita, escolha produtos brasileiros também e não compre bobagens só porque são mais baratas, elas ocupam espaço e não trarão significado a sua vida, compre aquilo que se aproxima a seus conceitos.

E quando algum convidado elogiar seus objetos conte toda a história dele, você perceberá que este ficará curioso e atento, gostará de saber os motivos daquele objeto estar naquele lugar especial da sua casa.


Desta forma você estará levando esta ideia adiante: primeiro você estará contando de suas escolhas e como estas ajudam na construção de sua imagem e identidade, como você pensa e vê o mundo. E também, o que é muito comum de ocorrer, estará estimulando seu convidado a fazer o mesmo e, quem sabe, poderá encorajá-lo a mudar seu modo de viver, mudando seus objetos, a decoração da casa ou até reformando. Contando sua história através de sua casa.

Alvaro Guillermo
artigo publicado na revista Mix Decor ano 7 edição 39 Dez 2017

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Coexistência e Mudanças

Coexistência e Mudanças

Tenho amigos em quase todos os Estados do Brasil, mas estou triste.
Visitei, trabalhei, lecionei e dei palestras em inúmeras cidades do Brasil, sempre fui muito bem recebido, com muita expectativa, simpatia e cordialidade.
Recebi, e ainda recebo, inúmeras pessoas vindas de diferentes lugares do Brasil e do Mundo, e todos elogiam o carinho, a atenção e a simpatia com que são recebidos na minha cidade e no Brasil.
Isto faz parte de nosso jeito brasileiro de ser.
É parte daquilo nos dá unidade, este jeito de ser e a nossa língua com os mais diversos sotaques, cantos, e qualidades regionais. A língua é minha pátria, Caetano traz Pessoa a um país que quase não tem limites geográficos com seus vizinhos.
Esse respeito ao multicultural e o respeito às diferenças, é brasileiro.
Daí a miscigenação de raças de gente tão bonita, e a transculturalidade que permite o novo, e se faz possível aqui no Brasil.
Acabei de ouvir o Lenine, Alceu Valença e Suassuna falar sobre o frevo, que é isso, é novo a partir de outros.

Mas estou triste, porque estamos perdendo o respeito, e com isso a felicidade que andava estampada nos rostos.
Se pedem mudanças, quais?
Se a mudança exige perder o respeito sobre o outro, não é o país que gostaria de viver.
Por isso escolhi viver aqui, porque aqui todos somos brasileiros.
Sou utópico, como Galeano propõe, pelo menos acreditamos que podemos caminhar e sair do lugar.
A utopia nos move!
Quidiabéisso?
É acreditar que podemos melhorar.
Imagino que Lennon tinha razão, não é tão difícil viver sem fronteira geopolítica.
Muito menos dentro de nosso País! né não?
Afinal qualquer Gurí sabe que do outro lado são gaúchos também, mas falam castelhano, tche!

Não posso pedir aos meus amigos que parem com estas ofensas mútuas, sem coerência e que são incentivadas por grupos interessados no poder. Não no Brasil!
Mas estou ficando muito Arretado! porque esta rede não dá tempo de cutucar, e outro já responde com ofensa pior.

Sei que vivo numa Paulicéia desvairada, mas permite que Flávio vista saiote, e deu chance ao novo e à modernidade! Não do cinema de Glauber, nem da Bossa de Jobim, brasileiro no nome. Mas fizemos de 3 dias uma semana moderna.
Se esse é nosso jeito, porque não?

Entendo que a sofisticação de Djavan é compreensível na visualização das cores do oceano que banha suas praias, ou quando percebe o traço do arquiteto em Brasília. Gosto dela tanto assim.
Entendo a vida e a morte de Severina, e dos que se retiram de qualquer lugar, todos sofrem. Mas estes acreditam, por isso caminham. É uma Saga pelas semelhanças.

Afinal quando nos dividimos entre Vermelho ou Azul fazemos uma das melhores festas do Mundo, na pequena Parintins. Torcer pelo Azul ou pelo Vermelho deveria ser uma festa, não uma ofensa.
Vou encurtar a prosa: O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.

Devemos exigir mudanças. Quero acreditar que as haverá. Só Não podemos mudar essa qualidade que temos chamada Coexistência.
Alvaro Guillermo
Podem compartilhar se desejarem, mantenham a fonte.
A foto que ilustra é minha feita no Recanto Mamulengo em Recife 10/10/14
#mudanças #coexistência #serbrasileiro

INFOGRAFIA - Design e o resultado das eleições

Brasil é Lilás: Design e o resultado das eleições.

O que é infografia?
É quando tentamos resumir com símbolos, signos e desenhos informações através de gráficos, geralmente se faz necessário quando estas informações são complexas. Estes gráficos sintetizam visualmente a informação de modo que possa ser interpretada rapidamente. Ou também para atrair a atenção para um estudo mais aprofundado dessa informação.

É o que está ocorrendo com o resultado desta eleição.

Estamos cometendo um erro de Design.
O resultado destas eleições não são a divisão de um Brasil em azul e vermelho.
A infografia está equivocada, e merece uma urgente interpretação dos dados para evitar que o ruído se torne realidade.
Um estado vermelho pressupõe 100% desta cor, igualmente para o Azul.
As variações cromáticas que vão do vermelho ao azul é grande, entre elas as mais conhecidas o roxo e lilás.
Podemos ver vermelhos com pouco de azul, e azuis com pouco de vermelho.

Esse mapa apresentado está equivocado!
Talvez por interesse dos meios de comunicação responsáveis pela informação, ou por irresponsabilidade, ou desconhecimento do valor da imagem na informação ( o que é pior).
Imagino Alberto Manguel descrevendo o resultado desta eleição através deste mapa.

A leitura rápida é sempre equivocada, ainda mais quando feita apenas através da infografia, esta deveria ajudar a interpretar a informação, não distorcê-la.

Diante da real leitura dos dados todos os lugares tem vermelhos com azuis. Se é para misturar as duas cores temos roxos avermelhados e roxos azulados.
A mistura de azul com vermelho é roxo e com 20% de branco vira Lilás.
Pronto nossa cor é lilás!

É como de fato somos, até porque tem um monte de cearense morando em São Paulo, e outro tanto de paulistas morando no Ceará.
Mas, se estudamos mais profundamente os dados veremos, que não somos metade vermelhos e metade azuis. Isso é coisa de americano.
A minoria é vermelha e azul, tem um monte de cores no meio desta história que aderiu a outra cor, por causa das regras (do jogo).
Tem muito amarelo, muito verde, muitos pretos, e muitos que não tem cores, porque as regras não são claras, porque muitos não entendem o jogo, ou porque não estão a fim de jogar e são obrigados.

Logicamente que por motivos óbvios defendo a importância do design em nossas vidas, e existem momentos em que não posso me calar.
Esta discussão que se estabelece principalmente nas redes sociais são frutos da falta de um bom design gráfico e de informação.
Existem congressos científicos nacionais e internacionais que tratam apenas desta qualidade do design que é favorecer a comunicação, e que neste momento está faltando nos meios de comunicação e promovendo assim um debate sem fundamento e que poderá ter conseqüências graves em breve.

Não vejo um país dividido em dois. Vejo um país com realidades culturais e regionais muito diferentes.
A todo momento que tratamos dos nossos valores isto é citado. Nos orgulhamos de sermos um país continental multicultural, por que deveríamos ter todos a mesma cor?

Estou feliz porque temos a democracia que nos permite a manifestação oficial, e o resultado das eleições mandaram um recado: o país não é vermelho nem azul, ninguém está com essa "bola toda"!
Se for para misturar o Brasil é lilás.

Alvaro Guillermo
#nemazulnemvermelho #mudanças #coexistência #serbrasileiro
sugiro a leitura de meu outro texto Coexistência nesta página ainda pertinente.

dia 15 vou prá Rua! Por que?

dia 15 vou prá Rua! Por que?
No ano passado no fervor do segundo turno das eleições publiquei um texto que chamei de Coexistência. Ainda entendo que precisamos apreender a viver e conviver com os outros e principalmente com as diferenças. Isto exige respeito! Talvez seja difícil de entender, afinal temos menos de 30 anos de democracia.
Eu vou prá rua reclamar da roubalheira escancarada, da falta de ética e moral, da gastança desmedida e prepotente dos políticos, do aumento de impostos e tarifas para cobrir desfalques e erros.
"Lá da rampa mandaram avisar ,Que todo dinheiro será devolvido quando setembro chegar num envelope azul índigo. Chama o síndico!"
Não estou reclamando da presidente, apenas, estou me referindo a todos que governam e aceitam esta situação. Este governo é uma junta de aliados de vários partidos, e alguns parecem estar satisfeitos com a centralização da crítica apenas à presidente. Mas ela não é a única.
"E eu menos a conhecera mais a amara? Sou cego de tanto vê-la, te tanto tê-la estrela. O que é uma coisa bela?"
Vou me manifestar com respeito a todos, mas não posso me calar, pois, "Mesmo calada a boca, resta o peito, Silêncio na cidade não se escuta, …Tanta mentira, tanta força bruta".
Não é de hoje que temos este problema, "Num tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória, das nossas novas gerações. Dormia, a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações."
Eu vou prá rua porque tem uma coisa natural minha que brota à flor da pele e que me faz ser assim, "Que me queima por dentro será que me dá. Que me perturba o sono será que me dá. Que todos os ardores me vem atiçar. Que todos os tremores me vem agitar. E todos os suores me vem encharcar. E todos os meus nervos estão a rogar. E todos os meus órgãos estão a clamar. E uma aflição medonha me faz suplicar. O que não tem vergonha nem nunca terá. O que não tem governo nem nunca terá. O que não tem juízo".
Houve um tempo que acreditei no vermelho, mas aqui, hoje, não se trata de cor "O velho comunista se aliançou. Ao rubro do rubor do meu amor. O brilho do meu canto tem o tom. E a expressão da minha cor. Meu coração!"
Não podemos perder o interesse nacional, pois há muitos interessados em nosso Brasil. Eu vou prá rua, mesmo que não tenham me convidado, "Brasil! Mostra tua cara. Quero ver quem paga pra gente ficar assim. Brasil! Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim".
Afinal que país é esse que é rico? "Mas o Brasil vai ficar rico. Vamos faturar um milhão quando vendermos todas as almas".
Acredito que devemos mudar o Brasil, mesmo vendo muitos mudar do Brasil, choro "Ao ver o seu amigo partir. Mas quem ficou, no pensamento voou. Com seu canto que o outro lembrou. E quem voou, no pensamento ficou. Com a lembrança que o outro cantou" Por isso estive contra a ditadura militar, nas diretas já, contra o FMI ,Fora Collor, Não as privatizações, pela reforma política...
Meus amigos de todos os partidos, vamos fazer uma manifestação e reflexão supra partidária.
Porque acreditar no nosso futuro?
"Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar."
Alvaro Guillermo
Citações:
Coexistência.(https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4664149097120&set=a.1222233971393.26734.1695296044&type=1&theater).
W/Brasil (Chama o Síndico) Jorge Ben Jor
O Estrangeiro Caetano Veloso
CÁLICE - Chico Buarque
Vai Passar- Chico Buarque
À Flor Da Pele (O Que Será?) Chico Buarque
Vermelho - Chico da Silva, Fafá de Belém
Brasil Cazuza
Que País é Esse? Renato Russo
Canção Da América Milton Nascimento
A CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O Luxo de viver bem – ter ou ser?


Atualmente, a ideia de luxo está associada também aquilo que nos é raro e, portanto, caro – não necessariamente à riqueza material e financeira, mas aquilo a que de fato damos valor. Tem muito a ver com desejos e necessidades. Para muitos, por exemplo, ter um iate não é um desejo, ou porque já o têm, ou porque nunca o conseguirão, ou talvez porque não gostem de mar. No entanto, entendemos que ter um iate, ou passear de iate, é um luxo. Isso ocorre porque o luxo não está necessariamente no objeto material “iate”, mas na possibilidade de viver essa experiência rara, diferente do cotidiano, que é “passear no mar, de iate”. O valor aqui está em viver de forma diferente, de aproveitar melhor a vida, e o signo que representa isso é o iate. Assim, associamos o iate ao luxo. Diante desse conceito, viver bem, com paz e qualidade de vida numa grande cidade caótica e frenética é um desejo e também uma necessidade a que muitos passam a dar bastante valor. Nesse sentido, poucos têm o luxo de viver assim.“A inserção de nossas identidades em nossos ambientes é importante para o reconhecimento do que somos e do que queremos ser, e não do que temos ou queremos ter.”Por isso, a casa passa a ter importância fundamental, pois é nela que podemos imprimir nosso conceito de vida, e é no ambiente de nosso morar que conseguimos sentir a importância de viver bem, quando esse pouco tempo que temos para nós mesmos passa a ter valor especial.A inserção de nossas identidades em nossos ambientes é importante para o reconhecimento do que somos e do que queremos ser, e não do que temos ou queremos ter, ou seja, passamos a entender o prazer de viver em ambientes com que nos identificamos e, quando atingimos isso, sentimos isso como luxo – devido ao valor que lhe damos.O investimento nos ambientes de nossa casa é fundamental para viver melhor; a escolha de produtos adequados é mais que uma necessidade. Poder chegar em casa e sentar numa boa poltrona, ou assistir a filmes com qualidade, ou preparar aquela gastronomia com os amigos num espaço gourmet é um luxo.É assim que este conceito se estende à casa de praia e ou de campo, que não são pensadas como um investimento financeiro, mas como um luxo necessário para preservar a qualidade de vida: são a oportunidade de viver melhor.Dessa forma, entendemos que a decoração de nossos ambientes passa a ter uma relação forte com nossas identidades, com o nosso tempo devida e com o luxo. Como se trata de identidade, isso reforça a ideia de indivíduo. A avaliação desse indivíduo passa muito mais pela sua experiência de vida, permitindo, assim, que o tempo passe a integrar essa cadeia, seja pela marcação simbólica da experiência, seja pela real percepção do mesmo.É uma situação de difícil avaliação. O valor do tempo nas nossas vidas é um conceito abstrato que domina nossas conversas do dia a dia. O tempo tornou-se raro, e a percepção de que este tempo foi vivido com a intensidade requerida é mais rara ainda. Assim, ter noção de nosso tempo de vida é um luxo. Poder fazer as coisas que queremos e desejamos no nosso tempo, ou usar o dia da forma que mais nos dá prazer, é um luxo mais raro.Este afasta-se da riqueza material de posse (ter), mas nos aproxima de valores associados à qualidade e vivência individual (ser), ou seja, discutir luxo não se trata necessariamente de entender seu conceito, e sim a noção individual que temos dele.Por isso, nos aproxima do morar, da nossa casa, do nosso habitar. É nele que temos a maior possibilidade de perceber o tempo de nossas vidas e associá-lo a uma vida de luxo. Isso nos traz mais próximos da experiência de vida, muito mais próximos do resultado para o indivíduo do que a representação deste para o social. Permite-nos entender o que somos e o que queremos ser. Uma reflexão que é um luxo.Por Alvaro Guillermo.
Publicado originalmente no livro: Roteiros de luxo São Paulo - www.roteirosdeluxosp.com.brwww.roteirosdeluxosp.com.br
O sofá balanço tem design de Paola Lenti